Mais jornalistas morreram em Gaza do que em qualquer outro conflito mundial

Entidades profissionais acusam Tel Aviv de assassinatos deliberados
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O número de profissionais de imprensa mortos durante a ofensiva israelense em Gaza já supera todas as estatísticas registradas em guerras anteriores. De acordo com o Sindicato de Jornalistas Palestinos, 246 jornalistas e trabalhadores da mídia foram assassinados desde 7 de outubro de 2023, tornando o conflito o mais letal da história para a categoria.

O total ultrapassa as perdas somadas em sete grandes guerras, incluindo as duas guerras mundiais, a Guerra do Vietnã, os conflitos na Síria e na ex-Iugoslávia, além da Guerra Civil Americana e da guerra na Ucrânia. A informação é respaldada por dados do Memorial Freedom Forum e do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ).

Entidades internacionais de defesa da imprensa acusam Israel de ataques deliberados com o objetivo de impedir a cobertura jornalística em Gaza. Tel Aviv nega e alega que muitos dos mortos estariam ligados ao Hamas, justificativa contestada por organizações de direitos humanos.

A repressão também se reflete em números de prisões e ferimentos. Mais de 520 jornalistas já foram atingidos por disparos ou bombardeios, 206 foram presos — 55 ainda estão detidos, muitos em regime de prisão administrativa — e centenas de familiares de profissionais da mídia também morreram em ataques. Além disso, pelo menos 115 veículos de comunicação foram destruídos na Faixa de Gaza, segundo o sindicato local.

A violência atinge inclusive equipes internacionais. Em fevereiro de 2024, o chefe do escritório da Al Jazeera em Gaza, Wael Al-Dahdouh, que perdeu familiares em bombardeios, classificou a região como “o local mais mortal para jornalistas em toda a história contemporânea”. Episódios recentes, como o ataque duplo ao Hospital Nasser, em Khan Yunes, reforçam essa avaliação: enquanto jornalistas registravam os danos de um primeiro bombardeio, um segundo ataque matou 20 pessoas, incluindo cinco profissionais de imprensa.

O CPJ denunciou o que considera uma estratégia de “tiro duplo”, prática que atinge paramédicos, equipes de resgate e repórteres, configurando uma tentativa de silenciar testemunhas e inviabilizar registros independentes.

Além da violência direta, os jornalistas enfrentam fome e escassez de recursos básicos. Em julho, agências internacionais como AFP, Reuters, BBC e Associated Press divulgaram comunicado alertando que seus profissionais em Gaza estavam sem condições mínimas de sobrevivência devido ao bloqueio imposto por Israel.

Apesar das reiteradas negativas do governo israelense sobre a existência de fome na região, imagens e relatórios de organizações humanitárias e da ONU apontam para uma crise alimentar generalizada, que também atinge a comunidade jornalística.

Com a escalada do conflito, o trabalho de repórteres em Gaza tornou-se não apenas uma tarefa de cobertura, mas também uma luta pela própria sobrevivência.

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