O governo russo começou a limitar chamadas de voz no Telegram e no WhatsApp, alegando que as empresas não atenderam pedidos para colaborar em investigações envolvendo crimes como fraude e terrorismo. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (13) pelo Ministério do Desenvolvimento Digital da Rússia.
Segundo o regulador de comunicações Roskomnadzor, a medida afeta apenas as chamadas e poderá ser suspensa caso as plataformas cumpram as leis do país. Entre as exigências estão a criação de sedes legais na Rússia, cooperação com as autoridades e adesão irrestrita às normas locais.
A Meta, controladora do WhatsApp, foi classificada como “organização extremista” por Moscou em 2022, mas o aplicativo continuou autorizado no país, apesar de multas e penalidades por não remover conteúdos considerados proibidos. Já o Telegram afirmou, em resposta ao portal RBC, que combate crimes e fraudes, usando ferramentas de inteligência artificial para eliminar milhões de mensagens nocivas diariamente.
Repórteres da Reuters relataram dificuldades nas chamadas de voz do Telegram desde 11 de agosto e interrupções graves no WhatsApp, com ruídos e som intermitente.
As restrições ocorrem em meio a uma disputa prolongada entre Moscou e empresas de tecnologia estrangeiras sobre controle de conteúdo e armazenamento de dados, acirrada após a invasão da Ucrânia em 2022. O presidente Vladimir Putin já autorizou o desenvolvimento de um aplicativo de mensagens estatal, integrado a serviços do governo, como parte do projeto de “soberania digital” que busca reduzir a dependência de plataformas estrangeiras.
Organizações como a Human Rights Watch alertam que essas medidas aumentam o controle estatal sobre a internet e podem levar à migração forçada de usuários para plataformas controladas pelo governo, além de possibilitar rastreamento de atividades online e bloqueio de ferramentas contra a censura.
