Shutdown e sedução: como a crise de 1995 aproximou Clinton e Monica Lewinsky

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Uma paralisação do governo dos Estados Unidos em 1995 acabou servindo de pano de fundo para o início de um dos maiores escândalos da história da Casa Branca. Foi durante esse período, conhecido como shutdown, que o então presidente Bill Clinton conheceu melhor a estagiária Monica Lewinsky. A convivência forçada, provocada pela redução da equipe presidencial, deu origem a um relacionamento secreto que viria a público apenas três anos depois.

O shutdown acontece quando o Congresso não aprova o orçamento federal, o que suspende o funcionamento de parte dos serviços públicos. Em novembro de 1995, o impasse político entre democratas e republicanos paralisou o governo por seis dias e colocou cerca de 800 mil funcionários em licença. Na Casa Branca, parte da equipe foi afastada, e estagiários que não recebem salário passaram a ocupar funções temporárias.

Entre eles estava Monica Lewinsky, então com 22 anos, estudante de psicologia e recém-admitida no gabinete do chefe de gabinete presidencial. Com menos funcionários circulando, ela passou a ter contato mais frequente com Clinton. De acordo com o próprio relato de Lewinsky, o primeiro encontro íntimo aconteceu durante essa paralisação, em uma sala anexa ao Salão Oval.

O Congresso chegou a um acordo ainda naquela semana, e os servidores voltaram ao trabalho. Lewinsky, no entanto, continuou como estagiária e manteve o relacionamento com o presidente por cerca de um ano e meio.

O caso só veio à tona em janeiro de 1998, após denúncias e gravações divulgadas pela imprensa. O escândalo resultou em uma crise política que levou à abertura de um processo de impeachment contra Clinton do qual ele foi absolvido, concluindo seu mandato em 2001. Inicialmente, o presidente negou o envolvimento com a estagiária, mas mais tarde admitiu o relacionamento. Hillary Clinton, então primeira-dama, permaneceu ao lado do marido.

Anos depois, Monica Lewinsky afirmou se arrepender do caso. Em entrevista à Vanity Fair, disse que o relacionamento foi consensual, mas que sofreu intenso julgamento público e se tornou “bode expiatório” para proteger o poder presidencial. “Fui a mulher mais humilhada do mundo”, declarou em uma entrevista à NBC.

Hoje, o episódio integra uma galeria oficial da Casa Branca que relembra momentos marcantes de sua história descrito como um “escândalo” que levou à abertura de investigações.

Enquanto isso, os Estados Unidos enfrentam novamente uma paralisação do governo a mais longa já registrada. A disputa atual envolve o financiamento de programas de saúde, e uma votação prevista para esta quarta-feira (12) pode encerrar o impasse que deixou milhares de servidores sem pagamento e causou cancelamentos de voos e atrasos em serviços públicos.

Fonte: G1

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