Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Will Bank

No entanto, essa alternativa acabou descartada. Em 19 de janeiro, o Banco Central constatou o descumprimento
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O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição controlada pelo Banco Master. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (21) e ocorre após o fracasso das medidas adotadas para tentar preservar o funcionamento da financeira.

O Banco Master, controlador da Will, já havia sido liquidado pelo BC em novembro de 2025. Desde então, a instituição operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET), mecanismo aplicado quando há risco à estabilidade financeira, mas ainda existe a possibilidade de reorganização.

Com a liquidação da Will Financeira, o Banco Central determinou, entre outras medidas, a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição, que integrava o conglomerado liderado pelo Banco Master.

Segundo o BC, o conglomerado Master representava 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na avaliação da autoridade monetária, o RAET foi inicialmente imposto ao Master Múltiplo S/A por se considerar, à época, que havia interesse público em buscar uma solução que mantivesse a Will Financeira em funcionamento.

No entanto, essa alternativa acabou descartada. Em 19 de janeiro, o Banco Central constatou o descumprimento, por parte da Will Financeira, da grade de pagamentos vinculada ao arranjo de pagamentos da Mastercard Brasil. Como consequência, a instituição teve sua participação nesse sistema bloqueada.

Diante do agravamento da situação, o BC avaliou como inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, citando o comprometimento da saúde econômico-financeira da instituição, a insolvência e o vínculo de interesse decorrente do controle exercido pelo Banco Master.

Entenda o caso
Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master teve crescimento acelerado ao oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos muito acima da média do mercado. Para sustentar esse modelo, a instituição passou a assumir riscos elevados e a estruturar operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto sua liquidez efetiva se deteriorava.

Investigações da Polícia Federal e relatórios do Banco Central indicam que o colapso do Banco Master não se limitou a problemas financeiros, mas envolveu também falhas institucionais graves. A relação com a gestora Reag Investimentos, a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB) e pressões sobre órgãos de controle transformaram o caso em um processo complexo, com impactos diretos sobre investidores e sobre a credibilidade do sistema financeiro.

Entre 2023 e 2024, o Banco Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de operações de triangulação. O banco emprestava recursos a empresas consideradas de fachada, que aplicavam os valores em fundos administrados pela Reag Investimentos. Esses fundos, por sua vez, adquiriam ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços artificialmente inflados.

O Banco Central identificou ao menos seis fundos da Reag sob suspeita, com patrimônio conjunto estimado em R$ 102,4 bilhões, valores que circulavam entre fundos ligados aos mesmos intermediários até alcançar os beneficiários finais.

Fonte: Agência Brasil

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