O governo federal deu mais um passo rumo à consolidação do Brasil como potência tecnológica ao criar, nesta segunda-feira, um grupo de trabalho encarregado de gerir o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Publicada no Diário Oficial da União, a resolução estabelece um colegiado com representantes de 15 órgãos e entidades públicas, que atuará pelos próximos quatro anos com foco na implementação e acompanhamento da iniciativa.
O PBIA, lançado em julho de 2023, prevê um investimento de R$ 23 bilhões até 2027 para fortalecer a capacidade do país no desenvolvimento e uso da inteligência artificial. A meta é ambiciosa: tornar o Brasil referência global em inovação digital, especialmente no setor público, e dotar o país de infraestrutura tecnológica de ponta, incluindo processadores de alto desempenho e a atualização de supercomputadores abastecidos por fontes renováveis.
A formação do grupo ocorre em meio à intensificação das relações entre Brasil e China, com foco em tecnologia e desenvolvimento sustentável. Em viagem oficial a Pequim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um novo pacote de investimentos chineses no Brasil, da ordem de R$ 27 bilhões. O montante será aplicado em áreas estratégicas como infraestrutura, energia renovável, saúde e, sobretudo, educação — reconhecida como base para sustentar a cadeia produtiva tecnológica que se pretende desenvolver.
Durante discurso no Fórum Empresarial Brasil-China, Lula destacou a transformação econômica vivida pelos dois países nos últimos anos, apontando a redução da pobreza como uma conquista compartilhada. Segundo ele, a inclusão econômica é a base para o avanço tecnológico e o fortalecimento das relações bilaterais, que vêm sendo aprofundadas com projetos conjuntos de pesquisa e inovação.
Entre os frutos mais recentes da cooperação está o Centro Virtual de Pesquisa e Desenvolvimento em Inteligência Artificial, parceria entre a estatal brasileira Dataprev e a multinacional Huawei, com foco em soluções para agricultura, saúde, segurança pública e mobilidade. Também foram firmados acordos na área espacial, com ampliação da oferta de satélites de baixa órbita, além de iniciativas para produção de medicamentos, vacinas e energia renovável.
O presidente ressaltou que esses avanços exigirão mão de obra qualificada, e que isso só será possível com investimentos massivos em educação e formação profissional. Lula criticou a dependência histórica da exportação de commodities, mas reconheceu seu papel estratégico ao afirmar que o Brasil precisa converter os ganhos do agronegócio em recursos para investir em ciência e tecnologia.
A aposta do governo federal é clara: transformar o Brasil em protagonista da revolução digital por meio de políticas públicas articuladas, parceria internacional e valorização do conhecimento científico. A criação do grupo gestor do PBIA é, nesse sentido, mais do que uma medida burocrática — é o início da tentativa de consolidar uma nova trajetória de desenvolvimento nacional.
