Brasileiros ainda deixam bilhões esquecidos em bancos apesar de facilidades para saque

A recomendação é que o cidadão acesse apenas os canais oficiais e jamais forneça senhas a terceiros
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Em abril, os brasileiros recuperaram R$ 360 milhões em valores esquecidos no sistema financeiro, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (10). O montante faz parte do Sistema de Valores a Receber (SVR), que já devolveu R$ 10,38 bilhões desde sua criação, mas ainda mantém R$ 9,74 bilhões disponíveis para saque. Apesar dos avanços na tecnologia e nas facilidades para resgate, milhões de brasileiros ainda não buscaram os valores a que têm direito.

O SVR é uma iniciativa do Banco Central que permite a qualquer cidadão ou empresa verificar, gratuitamente, se há dinheiro esquecido em contas bancárias encerradas, cooperativas de crédito, consórcios e outras instituições. A consulta é simples: basta fornecer CPF e data de nascimento ou CNPJ e data de abertura da empresa. No entanto, o resgate exige o uso de conta Gov.br com nível prata ou ouro e autenticação em duas etapas.

A recente implantação da solicitação automática de resgate tornou o processo ainda mais ágil para pessoas físicas que possuam chave Pix cadastrada com CPF. Com essa função, o dinheiro é transferido automaticamente para a conta do titular assim que identificado, sem necessidade de nova solicitação. A adesão é opcional, mas oferece conveniência a quem quer evitar a checagem periódica do sistema.

Ainda assim, números indicam baixa adesão à recuperação dos recursos. Até o fim de abril, 30,6 milhões de correntistas haviam resgatado seus valores, enquanto mais de 51,7 milhões seguem com dinheiro parado, principalmente em quantias modestas. Aproximadamente 64% têm valores de até R$ 10 a receber, enquanto apenas 1,85% detêm montantes superiores a R$ 1 mil.

A consulta e o resgate de valores pertencentes a pessoas falecidas também são permitidos, desde que realizados por herdeiros, inventariantes, representantes legais ou testamentários, mediante assinatura de termo de responsabilidade no próprio sistema.

O Banco Central reforça que o SVR é totalmente gratuito e que nenhum intermediário está autorizado a atuar em nome do sistema. O órgão alerta sobre golpes envolvendo falsas promessas de resgate e esclarece que não envia links nem solicita dados pessoais por telefone ou aplicativos de mensagem. A recomendação é que o cidadão acesse apenas os canais oficiais e jamais forneça senhas a terceiros.

Com bilhões ainda disponíveis e um sistema cada vez mais simplificado, o desafio agora é aumentar a conscientização dos brasileiros sobre a possibilidade de recuperar recursos que, muitas vezes, foram esquecidos sem que sequer se percebessem.

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