Após dois anos consecutivos liderando a criação de galinhas no Nordeste, o Ceará voltou à vice-liderança em 2024. O Estado foi superado por Pernambuco, que agora detém o maior rebanho da região, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE.
Em 2023, o Ceará contabilizava 16,247 milhões de galinhas, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Já Pernambuco apresentou uma expansão ainda mais expressiva, de 18,6%, alcançando 16,261 milhões de cabeças — o maior número já registrado no estado, retomando a primeira posição, que já havia ocupado em 2020 e 2021.
Juntos, os dois estados concentram mais da metade da população de galinhas do Nordeste, respondendo por 54% do total regional.
Produção nacional
No cenário nacional, o Brasil encerrou o ano passado com um rebanho de 277,4 milhões de galinhas. São Paulo lidera o ranking com 56,7 milhões, seguido por Paraná (27,9 milhões) e Minas Gerais (24,9 milhões). Pernambuco e Ceará ocupam, respectivamente, a 7ª e 8ª posições entre os maiores produtores do país.
Beberibe mantém destaque, mas produção de ovos recua
O município de Beberibe, no Litoral Leste cearense, continua entre os maiores produtores de ovos do Brasil, mesmo após registrar uma leve queda na produção. Em 2024, a cidade produziu 85,6 mil dúzias de ovos (cerca de 102,7 milhões de unidades), uma redução de 2,16% em relação às 87,4 mil dúzias produzidas em 2023.
Apesar da retração, Beberibe permanece como o quinto maior produtor de ovos do país e o segundo no Nordeste, atrás apenas de São Bento do Una (PE), que produziu 151 mil dúzias (ou 181,2 milhões de ovos).
Setor avícola cearense sente perda de protagonismo
O presidente da Associação Cearense da Avicultura (Aceav), João Jorge Reis, avalia que os dados do IBGE não refletem toda a realidade do setor. Segundo ele, levantamentos feitos pela própria Aceav e pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já indicavam a liderança pernambucana há mais de uma década.
Essas pesquisas apontam que, considerando apenas as galinhas poedeiras — aquelas criadas exclusivamente para produção de ovos — Pernambuco mantém uma vantagem significativa. O estado teria cerca de 11 milhões de poedeiras, contra quase 7 milhões no Ceará, o que representa uma diferença de 57,5%.
“Já faz tempo que Pernambuco tem quase uma vez e meia a nossa produção, tanto de ovos quanto de frango. Lá há mais abatedouros e uma estrutura mais robusta para o escoamento da produção”, afirma João Jorge.
Mesmo assim, ele destaca que o Ceará é autossuficiente na produção de ovos e chega a exportar parte do excedente. “Nosso crescimento segue o ritmo da demanda. Estamos entre os melhores do Brasil em produtividade”, completou.
