Geração Z lidera índice de inadimplência e acende alerta no varejo às vésperas do fim de ano

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A mais recente edição do Índice de Inadimplência do Varejo Brasileiro trouxe um retrato preocupante do comportamento financeiro dos consumidores jovens: pessoas entre 18 e 25 anos registram a maior taxa de contas em atraso do país. Segundo o painel elaborado pelo Meu Crediário, 15,48% dos integrantes da Geração Z estão com débitos vencidos há mais de 90 dias.

O avanço da inadimplência ocorre num momento de grande movimentação comercial, com a expectativa de aumento das compras de fim de ano. De acordo com o levantamento, a taxa nacional passou de 8,16% em outubro para 8,74% em novembro de 2025, atingindo o segundo maior nível para o mês em três anos. A tendência preocupa varejistas e instituições financeiras, que temem um Natal com alto volume de vendas convertido em prejuízo.

Jovens apresentam maior fragilidade no uso do crédito

O estudo aponta que a inadimplência cai conforme a idade avança:

18 a 25 anos: 15,48%

26 a 35 anos: 11,85%

51 a 65 anos: 5,77%

Acima de 66 anos: 5,53%

A diferença entre gêneros também aparece: enquanto 10,61% dos homens estão inadimplentes, o índice entre as mulheres é de 8,16%.

Para os analistas, fatores como pouca experiência na gestão das finanças, decisões de consumo impulsivas e maior dependência do crediário tornam os mais jovens especialmente vulneráveis ao descontrole financeiro.

Natal pode reforçar pressão sobre lojistas

Apesar da entrada do 13º salário, o cenário não anima o setor. A expectativa é de que parte expressiva do recurso seja direcionada para quitação de dívidas anteriores, reduzindo o impacto positivo no varejo. Especialistas alertam para o risco de uma conversão baixa entre vendas e recebimento efetivo, o que tende a comprometer o caixa das empresas no início de 2026.

Lojistas que não revisarem suas políticas de concessão de crédito, dizem os analistas, podem enfrentar aumento nos índices de calote e nos custos de cobrança logo nos primeiros meses do próximo ano.

Setores e regiões mais afetados

O levantamento revela que alguns segmentos concentram os maiores índices de atraso:

Roupas e calçados: 9,45%

Óticas: 8,06%

Móveis e eletrodomésticos: 7,68%

Regionalmente, as taxas mais elevadas aparecem em áreas de maior consumo:

Nordeste: 10,44%

Sudeste: 10,41%

Sul: 6,96% — o menor índice do país

A combinação entre crédito facilitado e aumento do consumo sazonal amplia o risco para o setor, especialmente entre os jovens que compõem a base emergente do mercado consumidor.

Perspectivas para o próximo ano

Para 2026, o desafio será equilibrar o volume de vendas com uma política de crédito mais responsável. A disparada da inadimplência entre jovens evidencia a necessidade urgente de fortalecer a educação financeira e revisar os critérios de oferta de crédito em um país cada vez mais digitalizado.

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