O governo federal iniciou nesta terça-feira uma ofensiva diplomática e econômica para enfrentar a taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A resposta começou com reuniões divididas entre representantes da indústria pela manhã e do agronegócio no período da tarde, em Brasília, lideradas pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin.
Alckmin abriu os encontros pedindo colaboração do setor privado e reforçando o compromisso do governo em buscar uma saída negociada para o impasse, sem recorrer a confrontos institucionais. Ele classificou as medidas norte-americanas como “inadequadas” e reiterou que a taxação prejudica não apenas o Brasil, mas também a economia dos próprios Estados Unidos, especialmente em setores como o siderúrgico, onde há forte interdependência comercial entre os dois países.
Durante a reunião, o vice-presidente ressaltou que o Brasil vinha tentando diálogo desde maio. Segundo ele, uma proposta formal foi enviada aos EUA no dia 16 daquele mês, sem resposta. Mesmo dias antes do anúncio das tarifas, conversas ainda ocorriam em nível técnico. A frustração com a falta de retorno norte-americano agora dá lugar a uma mobilização mais ampla.
A articulação envolve também o recém-criado Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, composto pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; da Fazenda; das Relações Exteriores; e da Casa Civil. Outras pastas foram convidadas a participar das discussões, que incluem medidas de reciprocidade caso a tarifa não seja revista.
O governo brasileiro pretende ainda dialogar diretamente com empresas americanas que têm relações comerciais com o Brasil, na tentativa de mostrar os impactos negativos da decisão sobre os próprios parceiros comerciais dos EUA.
Alckmin lembrou que o Brasil sequer tem superávit na balança com os Estados Unidos e que, dos dez principais produtos exportados pelos norte-americanos ao país, oito têm tarifa zero. Isso, segundo ele, reforça o desequilíbrio da nova taxação.
Enquanto aguarda um posicionamento de Washington, o governo estuda como aplicar a lei de reciprocidade econômica aprovada neste ano pelo Congresso. A regulamentação da norma foi publicada nesta terça-feira e poderá servir como base para contramedidas, caso as tarifas entrem em vigor em 1º de agosto como previsto.
