Haddad diz que tarifaço vai machucar um pouco, mas Brasil tem solidez para enfrentar

O ministro detalhou agendas importantes do governo em entrevista, afirmou que combater as desigualdades sociais no País é prioridade e disse que o marco regulatório do setor de mineração deve ser concluído neste ano
Compartilhe

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta quarta-feira (27/8) que o Brasil está preparado para enfrentar os impactos do aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos. Segundo ele, embora alguns setores exportadores sejam afetados, o país conta com reservas cambiais robustas, crescimento econômico contínuo e baixo índice de desemprego.

“Algumas empresas vão sentir mais, porque dependem fortemente do mercado norte-americano. Mas, em termos macroeconômicos, o Brasil tem condições de suportar”, disse o ministro em entrevista à TV Uol.

Haddad destacou que o governo federal mantém diálogo aberto com autoridades norte-americanas e com o empresariado para buscar soluções. Ele também reafirmou que o Plano Brasil Soberano, lançado em agosto, traz medidas emergenciais, como linhas de crédito, e estruturais, como fundos garantidores, para minimizar os efeitos do tarifaço.

O ministro observou ainda que a diversificação de mercados, defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde os mandatos anteriores, tem reduzido a dependência brasileira em relação aos Estados Unidos. “Eles precisam de commodities baratas e o Brasil é fornecedor. Se houver taxação sobre carne ou café, temos outros mercados interessados”, afirmou.

Marco da mineração será atualizado

Outro ponto abordado por Haddad foi a necessidade de atualizar o marco regulatório da mineração. Ele classificou a legislação atual como “defasada” e adiantou que mudanças devem ser apresentadas ainda este ano.

Segundo o ministro, o país precisa agregar valor às chamadas terras raras e aos minerais críticos, em vez de exportá-los sem refino. “O Brasil tem a terceira maior reserva desses minerais no mundo, atrás apenas da China e do Vietnã. Não podemos correr o risco de repetir o modelo do minério de ferro, vendido praticamente sem valor agregado”, alertou.

Combate às desigualdades

Na entrevista, Haddad também ressaltou a importância da reforma tributária e da redistribuição da carga de impostos. Para ele, trabalhadores arcam com um peso desproporcional em comparação às camadas mais ricas. “Os que mais reclamam do Estado são justamente os que menos contribuem para ele”, disse.

Relação entre os poderes

Sobre o cenário político, o ministro avaliou que o Brasil passou por momentos de instabilidade institucional, mas que o presidente Lula tem buscado reconstruir o equilíbrio entre os poderes. “Estamos retomando uma convivência democrática, com cada instituição cumprindo o papel estabelecido pela Constituição”, afirmou.

Você pode gostar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode se interessar
Publicidade