A indústria brasileira registrou novo recuo em sua produção no mês de maio, com uma queda de 0,5% em relação a abril, conforme os dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira. O resultado negativo sucede a retração de 0,2% no mês anterior e é influenciado principalmente pela baixa na fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, que encolheu 3,9%. Também pesam os efeitos da elevação contínua da taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano.
A redução da atividade foi observada em mais da metade dos segmentos pesquisados — 13 de 25 — atingindo também setores como petróleo e biocombustíveis, produtos alimentícios, metais, bebidas, móveis e vestuário. Em sentido oposto, a indústria extrativa contribuiu positivamente com um crescimento de 0,8%.
Apesar da retração no curto prazo, o desempenho da indústria apresenta crescimento quando se observa horizontes maiores. Em relação a maio do ano passado, houve expansão de 3,3%. No acumulado dos últimos doze meses, o avanço chega a 2,8%, colocando o setor em um nível 2,1% acima do registrado antes da pandemia, em fevereiro de 2020. Ainda assim, permanece 15% abaixo do ponto mais alto da série histórica, alcançado em maio de 2011.
Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, os números negativos de abril e maio são, em parte, uma acomodação após o crescimento expressivo registrado no primeiro trimestre de 2025, quando a indústria acumulou alta de 1,5%. Agora, com as quedas seguidas, o avanço acumulado no ano caiu para 0,7%.
Macedo destaca que o encarecimento do crédito, consequência da alta dos juros promovida pelo Banco Central desde setembro passado, afeta diretamente o setor industrial, ao reduzir o consumo das famílias e desincentivar investimentos. A taxa Selic, ferramenta usada para conter a inflação — que ainda está acima da meta do governo — tem efeito retardado sobre os preços, geralmente sentido após um período de seis a nove meses.
Entre as grandes categorias econômicas da produção industrial, os bens de consumo duráveis foram os mais impactados, com queda de 2,9%, puxada pela menor produção de automóveis, televisores e motocicletas. Também recuaram os bens de capital (-2,1%) e os bens de consumo semi e não duráveis (-1%). Apenas os bens intermediários, que alimentam a cadeia produtiva, tiveram leve alta de 0,1%.
O atual cenário evidencia a tensão entre o controle inflacionário e o ritmo da atividade econômica. A indústria brasileira, ainda em recuperação após anos de instabilidade, demonstra resiliência no comparativo anual, mas sente os efeitos imediatos de uma política monetária mais restritiva, que, ao frear a inflação, desacelera também a produção e o consumo.
