Nesse domingo, o mundo voltou os olhos para uma das faces mais silenciosas da violência: os abusos contra a população idosa. O Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, reconhecido oficialmente pela ONU desde 2011, traz à tona um problema que afeta milhares de pessoas todos os anos — muitas vezes dentro de suas próprias casas. Apesar de já haver um número maior de ações por parte do Estado, o enfrentamento merece maior atenção com ações dos órgãos de segurança pública no intuito de proteger quem tanto já contribuiu com a sociedade.
Entre janeiro e maio deste ano, foram registrados 707 boletins de ocorrência relacionados a crimes contra pessoas idosas no estado. O número resultou na instauração de 166 inquéritos pela Delegacia de Proteção ao Idoso e à Pessoa com Deficiência, unidade especializada da Polícia Civil. Nesse mesmo período, cinco pessoas foram presas em flagrante, representando um aumento de 150% em relação ao ano anterior.
A resposta à violência, no entanto, não se limita ao campo repressivo. O Grupo de Apoio às Vítimas de Violência (GAVV), ligado ao Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades da Polícia Militar, desenvolve um trabalho contínuo com foco na prevenção e no acolhimento. Por meio do policiamento comunitário, agentes constroem vínculos com a população, facilitando o acesso das vítimas aos serviços de segurança e apoio psicológico.
O coronel Mendes, comandante do Copac, reforça o compromisso da corporação com a dignidade dos mais velhos. Ele destaca a atuação de equipes especializadas, que oferecem desde orientações educativas até o acompanhamento direto em situações de risco. Segundo ele, ações como essas contribuem para garantir que os idosos possam envelhecer com mais segurança e respeito dentro das comunidades em que vivem.
Apesar do aparato legal que garante os direitos da população idosa, como o Estatuto da Pessoa Idosa, muitos ainda desconhecem que agressões verbais, abandono, negligência médica, exploração financeira e até a recusa de acesso a serviços básicos são, sim, formas de violência e passíveis de punição. Em casos mais graves, quando há lesão corporal grave ou morte, a pena pode chegar a até 12 anos de reclusão.
A população pode e deve denunciar casos de violência. Além do Disque 100, que funciona 24 horas por dia, a Secretaria da Segurança Pública disponibiliza canais diretos como o telefone e o e-mail da Delegacia de Proteção ao Idoso, o WhatsApp do Disque-Denúncia e a plataforma online “e-denúncia”, todos com sigilo garantido.
Em um cenário em que a população brasileira envelhece rapidamente, garantir o respeito e a integridade dos idosos é um dever coletivo. Tornar visível essa violência é o primeiro passo para combatê-la.
