A Justiça Estadual manteve a prisão preventiva de José Witals da Silva Nazário, conhecido como Playboy, apontado como uma das lideranças de uma facção criminosa que atua no Ceará. Ele é acusado de ordenar a expulsão de moradores do Distrito de Uiraponga, em Morada Nova, no interior do Estado.
A decisão, proferida em 9 de outubro pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas, rejeitou o pedido da defesa para revogar a prisão. Segundo os magistrados, a medida deve ser mantida como garantia da ordem pública, em razão da periculosidade do acusado e do risco de reincidência.
O parecer do Ministério Público do Ceará (MPCE) foi no mesmo sentido. O órgão sustentou que a manutenção da prisão é necessária para assegurar a aplicação da lei penal e proteger a sociedade diante da “escalada crescente de estruturas criminosas organizadas”.
Preso em operação conjunta
José Witals foi preso em 28 de julho, em São Paulo, durante uma operação conjunta das Polícias Civis do Ceará e de São Paulo. Ele havia ficado cerca de dez meses em liberdade, após ser absolvido em outro processo, em setembro de 2024, por falta de provas de participação em organização criminosa.
Nesse período, segundo as investigações, Playboy voltou a atuar em Morada Nova e a ordenar expulsões de famílias de Uiraponga. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) confirmou que ele segue preso preventivamente por outro processo que tramita sob sigilo.
Disputa entre facções
De acordo com o MPCE, José Witals liderava uma célula da facção Guardiões do Estado (GDE), em parceria com Gilberto de Oliveira Cazuza, que está na lista de mais procurados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Os dois teriam ordenado expulsões de moradores, homicídios e ataques contra serviços públicos na região. Posteriormente, após desavenças internas, Witals rompeu com a GDE e passou a integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o que teria deflagrado uma guerra entre facções rivais em Uiraponga.
Relatórios da Polícia Civil do Ceará (PCCE) descrevem que o distrito viveu um período de terror generalizado, com homicídios brutais e o êxodo de dezenas de famílias, levando à desarticulação de serviços públicos e da vida comunitária local.
“A atuação do grupo liderado por Witals não se limitou a ataques contra rivais, mas se voltou deliberadamente contra a população civil, utilizando a expulsão em massa e o medo como estratégia de domínio”, aponta documento da PCCE.
Argumentos da defesa
A defesa de José Witals, em pedido apresentado no dia 19 de agosto, alegou que a prisão preventiva era “desnecessária e desproporcional”, sem fundamentos concretos que a justificassem.
O advogado sustentou que não há indícios suficientes de autoria, afirmando que o processo se baseia em “conjecturas e relatórios de inteligência sem provas materiais”. Também defendeu que medidas cautelares alternativas seriam suficientes para mitigar os riscos apontados pela polícia, em respeito ao princípio da presunção de inocência.
Fonte: Diário do Nordeste
