PMs e ex-PM irão a júri por assassinato de empresário em Maracanaú

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Três suspeitos dois policiais militares e um ex-PM serão julgados na próxima semana pelo assassinato do empresário Kleber de Brito Quirino e pela tentativa de homicídio de um vendedor, em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. O júri popular está marcado para o dia 26 deste mês, às 9h, no Fórum Desembargador José Evandro Nogueira Lima.

De acordo com documentos obtidos pela reportagem, a execução teria sido motivada por uma disputa empresarial no setor de frigoríficos em 2019. A investigação aponta que o crime teria sido encomendado por empresários rivais, que supostamente pagariam R$ 250 mil pelos homicídios. Os apontados como executores o sargento Gilson Valério da Silva, conhecido como “Subvalério”; o PM Eliézio Ferreira Maia Júnior, o “Gago”; e o ex-PM Lúcio Antônio de Castro Gomes, chamado de “Lução” responderão em plenário.

Embora empresários do ramo tenham sido investigados e alvos de busca e apreensão, não foram encontradas provas suficientes para denunciá-los.

A família da vítima afirma acreditar que os três réus atuaram como intermediários contratados. Para parentes, o julgamento representa um passo importante na busca por justiça e também uma forma de evitar que outros crimes ocorram. Eles destacam a dor provocada pela perda e lembram que Kleber deixou um bebê.

A dinâmica do crime

O ataque ocorreu em 20 de dezembro de 2019, no frigorífico da família. Por volta das 14h, um homem entrou no local perguntando sobre vagas de emprego e, ao identificar o alvo, efetuou os disparos. Kleber foi atingido oito vezes, sem chance de defesa. Um funcionário também foi baleado, mas sobreviveu.

As investigações avançaram após o pai de Kleber relatar à polícia que desconfiava de uma motivação ligada à concorrência no setor. Meses depois, uma mulher procurou a Delegacia de Homicídios informando que Jonathas Ferreira Lima apontado como o atirador havia sido morto dias após o crime e teria confessado a ela que participou da execução em troca de pagamento. A partir dessas informações, a Polícia chegou aos nomes dos PMs e do ex-PM.

Segundo a denúncia, Lúcio teria sido contratado como “matador de aluguel” para organizar três assassinatos de administradores do frigorífico rival, contando com o apoio de Gilson Valério e Eliézio. Jonathas teria sido aliciado para realizar os disparos. Outros alvos citados no plano não foram atingidos porque não estavam no local.

Perfil dos acusados

  • Gilson Valério e Lúcio Antônio foram presos em abril de 2021.
  • Eliézio foi capturado dois meses depois.
  • A denúncia do MPCE foi formalizada ainda em 2021, e aceita pela Justiça.
  • Em 2023, Gilson e Eliézio passaram a responder a processo administrativo disciplinar na Controladoria Geral de Disciplina.

Lúcio já tinha antecedentes por outro homicídio em Maracanaú do qual acabou absolvido em 2025 e afirmou ter sido expulso da PM por exercer segurança privada enquanto estava de licença.

Eliézio também era investigado por outros casos, incluindo a Chacina do Curió, ocorrida há 10 anos. Seu julgamento neste processo seria realizado em 2025, mas foi suspenso após a defesa alegar insanidade mental, com concordância do Ministério Público e da acusação assistente.

A memória da vítima

Familiares descrevem Kleber como um homem trabalhador, alegre e dedicado à família. Eles classificam o crime como covarde e brutal, apontando que o atirador se aproximou de forma aparentemente cordial antes de disparar.

“Foi muito difícil lidar com a perda, com a saudade e com o fato de ele ter deixado um bebê”, diz a família. “Esperamos que este julgamento traga justiça e impeça que esses homens façam mal a outras pessoas.”

Fonte: Diário do Nordeste

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