A deputada federal Carla Zambelli foi presa nesta terça-feira (29) pela polícia italiana, em Roma, após quase dois meses foragida da Justiça brasileira. A informação foi confirmada por fontes da Polícia Federal, que já iniciou os trâmites para solicitar sua extradição com base em acordos internacionais firmados entre Brasil e Itália.
Zambelli havia deixado o país após ser condenada em maio pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça. A ação foi executada pelo hacker Walter Delgatti, que, segundo o processo, agiu sob orientação direta da parlamentar. Desde então, a deputada figurava na lista vermelha da Interpol, como foragida internacional.
A prisão da parlamentar foi possível graças à denúncia feita pelo deputado italiano Angelo Bonelli, que informou às autoridades o paradeiro de Zambelli na capital italiana. Em suas redes sociais, Bonelli relatou ter fornecido à polícia o endereço onde ela estaria hospedada. O parlamentar já havia pedido anteriormente ao governo italiano que tratasse a extradição da deputada com urgência, alegando que a cidadania italiana não pode ser usada como escudo contra condenações judiciais.
Além do caso envolvendo a invasão dos sistemas do CNJ, Zambelli também responde por outro processo no Supremo Tribunal Federal, relacionado ao episódio em que sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. A perseguição ocorreu nas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, e foi filmada por testemunhas. Nesse processo, o placar provisório no STF é de seis votos a zero pela condenação da deputada a cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto. O julgamento, porém, foi suspenso após um pedido de vista do ministro Nunes Marques.
Agora sob custódia da polícia italiana, Carla Zambelli deverá enfrentar um processo de extradição, com expectativa de retorno ao Brasil para cumprimento das penas impostas pela mais alta corte do país.
