O senador Fabiano Contarato (PT-ES), eleito presidente da CPI do Crime Organizado, afirmou que o campo progressista precisa superar o “estigma” de defender apenas os direitos humanos de presos e criminosos. Segundo ele, é necessário “falar com responsabilidade, com os pés no chão e sem romantizar” a segurança pública.
“Durante muito tempo ficou o estigma de que nós defendemos pessoas que violaram a lei. Isso precisa mudar”, disse. Contarato defende o endurecimento de penas para adolescentes infratores, critica a saída temporária de condenados por crimes contra a vida e apoia equiparar facções criminosas ao terrorismo.
O parlamentar, que foi delegado de polícia por 27 anos, promete conduzir a CPI de forma técnica, sem transformá-la em palco de disputas eleitorais. O relator será o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e o vice-presidente, Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
“Segurança pública não é uma pauta exclusiva da direita. É dever do Estado e direito de todos”, afirmou o senador.
Contarato também argumenta que o Brasil é “o país mais permissivo do G20” em relação à punição de adolescentes e citou o caso de um jovem que matou quatro pessoas em uma escola no Espírito Santo e deve ser solto após três anos de internação. O senador relatou o PL 1.473/2025, que amplia esse período para até dez anos em casos graves, já aprovado no Senado e em análise na Câmara.
Para ele, direitos humanos devem proteger também as vítimas como órfãos de feminicídios, pessoas atingidas pela violência e policiais mortos em confrontos.
“Um político que desvia verba da saúde mata milhões de pessoas. Corrupção também é crime hediondo”, ressaltou.
Contarato disse não ver risco de interferência estrangeira caso as facções sejam equiparadas ao terrorismo, e destacou que o objetivo é dar respostas à população que mais sofre com a ausência do Estado.
“Quando o Estado não está presente, o medo se instala e a barbárie se impõe”, concluiu
Fonte: Agência Brasil
