A relação entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o governo Lula atingiu novo nível de tensão após o Planalto segurar o envio da mensagem oficial com a documentação de Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo sem o material, Alcolumbre avisou aliados que manterá a sabatina marcada para 10 de dezembro, amparado na publicação da indicação no Diário Oficial da União em 20 de novembro. A decisão é interpretada como reação à avaliação de que o governo tenta influenciar o cronograma do Senado e difunde a versão de que Alcolumbre buscaria usurpar prerrogativas presidenciais ou negociar cargos — acusação que o senador classificou como “ofensiva e desqualificadora”.
A crise se agravou quando Alcolumbre soube da indicação pela imprensa, em pleno feriado, enquanto Lula telefonava ao presidente do STF, Edson Fachin, e não a ele. O gesto foi visto como desrespeitoso por seus aliados. Antes mesmo da escolha, o senador havia alertado o Palácio do Planalto sobre o clima hostil na Casa e pedido articulação prévia, ressaltando que apoiava outro nome, o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e não poderia trabalhar pela aprovação de Messias.
Nos bastidores, Alcolumbre avalia que o governo avançou sem diálogo e ignorou alertas sobre a resistência que o indicado enfrentaria. O senador afirma que não aceitará comparações com o caso André Mendonça, que aguardou quatro meses por sabatina no governo Bolsonaro, e insiste que o calendário atual segue precedentes e evita protelações.
No Planalto, porém, auxiliares de Lula afirmam que, se Messias for rejeitado por articulação de Alcolumbre, o presidente está disposto a romper politicamente com o senador, o que incluiria retirada de cargos ocupados por seus aliados. Hoje, Messias teria cerca de 20 votos favoráveis — menos da metade dos 41 necessários — e uma rejeição seria inédita desde a redemocratização.
O relator da indicação, Weverton Rocha (PDT-MA), tenta construir uma saída e deve pedir que Lula faça gestos públicos para pacificar a relação. Congressistas avaliam que apenas uma ação coordenada entre Planalto e Senado pode reverter votos. Em nova nota, Alcolumbre reafirmou que nenhum Poder pode se sobrepor ao outro e denunciou tentativas do Executivo de vincular o Senado a “interesses fisiológicos”, classificando a narrativa como atentatória ao equilíbrio institucional.
Fonte: Jovem Pan
