Haddad aposta em acordo para aprovar MP do IOF e manter equilíbrio fiscal

Se texto não for votado até nesta quarta-feira perderá validade
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (7), em Brasília, que acredita em um acordo com o Congresso Nacional para aprovar a medida provisória (MP) que trata da elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e outras ações voltadas ao aumento da arrecadação e redução de gastos obrigatórios. O texto precisa ser votado até quarta-feira (8) para não perder a validade.

“Nós temos espaço para negociar. Ninguém é ingênuo a ponto de imaginar que uma proposta será aprovada sem emendas”, declarou Haddad durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov.

O ministro afirmou estar confiante em um desfecho positivo, destacando que o governo busca uma solução que garanta um orçamento equilibrado para 2026.

“As conversas estão bem encaminhadas. Já enfrentamos desafios em outras ocasiões e conseguimos superá-los”, disse.

Contexto fiscal e medidas propostas

Em maio, o governo anunciou um contingenciamento de cerca de R$ 30 bilhões para cumprir as metas do arcabouço fiscal. Como parte do pacote, foi editado um decreto para reajustar o IOF sobre crédito, câmbio e seguros, com previsão de arrecadar R$ 20 bilhões adicionais em 2025.

Diante das críticas do mercado e da resistência de parlamentares, o governo apresentou uma MP alternativa, publicada em 11 de junho, com validade de 120 dias. O texto propõe:

Aumento de 15% para 20% do Imposto de Renda sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP);

Elevação da CSLL das fintechs de 9% para 15%;

Aumento do imposto sobre empresas de apostas online (bets) de 12% para 18%;

Fim da isenção de IR para títulos incentivados (LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures);

Regras mais rígidas para compensações tributárias.

Haddad reconheceu que enfrentar privilégios tributários é uma das tarefas mais difíceis da equipe econômica.

“Cortar privilégios exige tenacidade e determinação. Há benefícios fiscais que não fazem mais sentido e precisam ser revistos, porque o país precisa de recursos para quem mais necessita”, afirmou.

Imposto de Renda e promessa de campanha

O ministro também comentou a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês, além de reduções para rendas de até R$ 7.350. O texto, aprovado por unanimidade na Câmara dos Deputados, ainda será analisado pelo Senado Federal.

“Foi um consenso raro. Essa medida ataca um dos maiores problemas do Brasil: a desigualdade. Acredito que o Senado também vai aprovar rapidamente”, declarou.

Sobre as discussões no Congresso para ampliar a isenção a quem ganha até R$ 10 mil, Haddad ponderou que qualquer ampliação deve vir acompanhada de fonte de custeio.

“Se houver emenda que indique uma nova fonte de receita, pode haver espaço. Mas o Brasil está cansado de medidas populistas sem responsabilidade fiscal”, afirmou.

O governo espera que a aprovação da MP do IOF e da reforma do IR reforce o compromisso com o equilíbrio das contas públicas, uma das principais metas econômicas da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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