Lula: América Latina não pode aceitar novas justificativas para intervenções ilegais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o multilateralismo e a paz na América Latina e no Caribe durante discurso neste domingo (9)
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o multilateralismo e a paz na América Latina e no Caribe durante discurso neste domingo (9), em Santa Marta, na Colômbia. Ele criticou o que chamou de “manobras retóricas recicladas” para justificar o uso da força e intervenções ilegais em países da região.

“Ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais”, afirmou, sem citar países.
“Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional”, completou.

As declarações ocorreram durante a sessão plenária de abertura da 4ª Cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia (UE).

Contexto de tensão regional

O encontro acontece em meio à preocupação de governos latino-americanos com a ofensiva dos Estados Unidos contra supostos traficantes de drogas em águas internacionais do Caribe e do Pacífico. Desde setembro, por ordem do presidente Donald Trump, militares norte-americanos têm alvejado embarcações na região, sob alegação de tráfico de drogas ações que já deixaram ao menos 70 mortos.

Lula evitou citar diretamente o episódio, mas reforçou que “a paz e a soberania devem prevalecer sobre o uso da força”.

América Latina dividida

Na presença de líderes de 60 países 27 da UE e 33 da Celac, o presidente brasileiro destacou que os dois blocos são fundamentais para uma nova ordem mundial baseada na paz, no multilateralismo e na multipolaridade. No entanto, reconheceu que a região “voltou a se dividir, mais voltada para fora do que para si própria”, e alertou para ameaças como extremismo político, manipulação de informações e o crime organizado.

“Vivemos de reunião em reunião repletas de ideias e iniciativas que, muitas vezes, não saem do papel”, observou.

Segurança pública e crime organizado

Sem mencionar diretamente a recente operação policial no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, Lula afirmou que o combate ao crime é responsabilidade do Estado, mas deve respeitar direitos e leis internacionais.

“Não existe solução mágica para acabar com a criminalidade. É preciso reprimir o crime organizado e suas lideranças, estrangulando o seu financiamento e rastreando o tráfico de armas”, disse.

O presidente também lembrou iniciativas de cooperação regional, como o comando tripartite da Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai) e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia.

COP30 e transição energética

Lula aproveitou o discurso para destacar o papel da América Latina na preservação ambiental, a poucos dias da abertura da 30ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém.

“A COP30, no coração da Amazônia, é uma oportunidade para mostrarmos ao mundo que conservar as florestas é cuidar do futuro do planeta”, declarou.

Ele voltou a defender o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposta brasileira que busca valorizar economicamente as florestas preservadas, e destacou o potencial regional para liderar a transição energética rumo às fontes limpas.

Igualdade de gênero e ONU

Ao final do discurso, Lula defendeu maior representatividade feminina no cenário internacional e sugeriu que uma mulher latino-americana assuma o cargo de secretária-geral da ONU.

“Apesar de representarem mais da metade da população mundial, as mulheres nunca exerceram a mais alta função das Nações Unidas. É chegada a hora de termos uma latino-americana no cargo”, afirmou.

Entre os nomes cotados estão a ex-presidente chilena Michelle Bachelet e a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley.

Após o encerramento da cúpula, Lula seguiu para Belém (PA), onde participará da abertura da COP30 nesta segunda-feira (10).

Fonte: Agência Brasil

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