Lula avalia compra de novo avião presidencial

Decisão esbarra no alto custo da aeronave, estimado entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões, o que tende a disputar espaço orçamentário com outras prioridades da Defesa Nacional
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Após uma série de episódios envolvendo riscos em deslocamentos aéreos oficiais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a discutir, no âmbito do governo, a possibilidade de adquirir uma nova aeronave para uso presidencial. A proposta, porém, enfrenta obstáculos financeiros e políticos, especialmente pelo alto custo estimado — entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões — e pelo potencial desgaste em um ano de disputa eleitoral.

A análise técnica está sendo conduzida pelo Ministério da Defesa e pela Força Aérea Brasileira (FAB), que se encontram na fase final de levantamento de preços e opções disponíveis no mercado internacional. O relatório com os valores deve ser apresentado ao presidente no início de 2026. Apesar disso, aliados próximos têm aconselhado cautela, avaliando que a troca pode gerar críticas sobre gastos públicos.

A insatisfação do presidente e da primeira-dama, Janja, com a atual aeronave está relacionada principalmente às limitações operacionais do avião, como a autonomia reduzida para voos de longa distância e a falta de espaços adequados para reuniões, descanso e segurança durante viagens internacionais.

Segundo fontes do governo, encontrar um modelo que atenda às exigências do Palácio do Planalto não tem sido tarefa simples. Aeronaves adaptadas para chefes de Estado são raras, possuem produção limitada e demandam longos prazos de fabricação e personalização, o que pode atrasar a entrega por até três anos.

A FAB tem recorrido a intermediários especializados para mapear fornecedores em diferentes países e apresentar alternativas compatíveis. Após essa triagem, caberá ao presidente decidir se a compra seguirá adiante, por meio de processo licitatório. Tentativas anteriores de sondagem, incluindo modelos europeus, não avançaram.

O debate ganhou força após ocorrências recentes envolvendo o avião presidencial. Em outubro, no Pará, um problema técnico antes da decolagem levou a comitiva a trocar de aeronave por precaução. Em março deste ano, o Airbus A319CJ — conhecido como Aerolula — precisou arremeter durante um pouso em Sorocaba devido às condições climáticas. Já em outubro de 2024, uma pane em uma das turbinas obrigou o avião a permanecer por horas sobrevoando a Cidade do México antes de realizar um pouso seguro.

Desde então, a aeronave opera com uma turbina alugada, enquanto a FAB aguarda a chegada de novos equipamentos para a renovação completa dos motores. O avião atual foi adquirido há cerca de duas décadas, no primeiro mandato de Lula, e tem sido alvo de críticas desde então, sobretudo por sua autonomia limitada, que exige escalas frequentes em viagens longas.

Além das questões técnicas, o fator político pesa na decisão. Integrantes do governo avaliam que a compra dificilmente seria concluída antes do segundo semestre e poderia impactar a imagem do presidente durante a campanha. Há quem defenda que o processo fique para um eventual próximo mandato, enquanto outros consideram possível apenas deixar a negociação encaminhada.

O tema também se insere em um contexto mais amplo de restrições orçamentárias nas Forças Armadas. Embora o orçamento da Defesa para o próximo ano seja de R$ 141 bilhões, a maior parte dos recursos está comprometida com despesas de pessoal. Investimentos em equipamentos e manutenção seguem limitados, o que aumenta a disputa interna por prioridades.

Nesse cenário, a eventual aquisição de um novo avião presidencial passa a concorrer com outros projetos estratégicos da Defesa Nacional, tornando a decisão ainda mais sensível do ponto de vista financeiro e político.

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