Moraes autoriza investigação sobre uso de informação privilegiada no tarifaço de Trump

A investigação surge a partir de pedido da Advocacia-Geral da União (AGU)
Compartilhe

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira a abertura de uma nova investigação para apurar indícios de uso de informações privilegiadas relacionados ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil. A suspeita recai sobre a prática de insider trading, quando dados sigilosos são usados de forma ilícita para obtenção de vantagem no mercado financeiro.

A investigação surge a partir de pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que apontou possíveis movimentações atípicas no mercado cambial antes e depois da divulgação oficial da taxação de 50% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos, anunciada por Trump e prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

O pedido está ligado ao inquérito em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é investigado por articular, junto ao governo norte-americano, medidas de retaliação contra o Brasil e ministros do Supremo, além de tentar impedir o andamento da ação penal que trata da tentativa de golpe de Estado para barrar a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.

Eduardo, que se afastou do mandato em março e se mudou para os Estados Unidos alegando perseguição política, agora é alvo de mais uma frente de apuração. No entanto, Moraes determinou que a investigação sobre o possível insider trading tramite separadamente e em sigilo.

A decisão foi tomada poucos dias após a Polícia Federal cumprir mandado de busca e apreensão contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no mesmo inquérito. Na sexta-feira, o ex-chefe do Executivo foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica e está impedido de sair de casa entre 19h e 6h. As medidas cautelares foram autorizadas por Moraes após a Procuradoria-Geral da República levantar risco de fuga do ex-presidente, que é réu por tentativa de golpe e deve ser julgado pelo STF em setembro.

Com os desdobramentos, o caso ganha novas camadas envolvendo política, economia e segurança institucional, reforçando o cerco das autoridades brasileiras contra ações que comprometam a democracia e o mercado financeiro nacional.

Você pode gostar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode se interessar
Publicidade