Prisão de Carla Zambelli é decretada por Alexandre de Moraes após fuga do país

A decisão também suspende o pagamento de salários e quaisquer verbas de gabinete da Câmara dos Deputados
Compartilhe

A deputada federal Carla Zambelli teve sua prisão decretada nesta quarta-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após anunciar que deixou o Brasil. Condenada a dez anos de prisão pela Primeira Turma do STF por invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Zambelli agora figura como foragida e poderá ser incluída na lista vermelha da Interpol, conforme determinação de Moraes.

Além da ordem de prisão, o ministro impôs o bloqueio imediato de passaportes, incluindo o diplomático, contas bancárias, bens móveis e imóveis da parlamentar. A decisão também suspende o pagamento de salários e quaisquer verbas de gabinete da Câmara dos Deputados, com redirecionamento desses recursos para o pagamento das multas estabelecidas pela condenação. Moraes determinou ainda a exclusão de Zambelli das redes sociais, com prazo de duas horas para que empresas responsáveis suspendam seus perfis em plataformas como Instagram, Facebook, X, YouTube, TikTok, Telegram, LinkedIn e GETTR.

A decisão ocorre após Zambelli declarar, em entrevista ao canal AuriVerde Brasil, que havia transferido suas redes sociais para o nome da mãe, Rita Zambelli, como forma de evitar eventuais bloqueios. Moraes destacou a tentativa de burlar medidas judiciais e afirmou que a deputada pretende continuar propagando desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro. Em caso de novas postagens atribuídas a ela, mesmo que por terceiros, será aplicada multa de R$ 50 mil por dia.

O ministro acatou pedido da Procuradoria-Geral da República, que argumentou haver risco à execução da pena diante da fuga da parlamentar. Segundo Moraes, Zambelli “se evadiu do distrito da culpa” e tenta se reposicionar publicamente com discursos que confrontam as decisões do STF.

Além da condenação relacionada ao hacker Walter Delgatti, que recebeu pena de 8 anos e 3 meses pelo mesmo caso, Zambelli enfrenta outro processo no Supremo por porte de arma de fogo e perseguição ao jornalista Luan Araújo, em episódio ocorrido às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.

Em nota divulgada por sua assessoria, a deputada classificou a decisão como ilegal, inconstitucional e autoritária, alegando que sua prisão só poderia ocorrer em flagrante e por crime inafiançável. Criticou o caráter monocrático da medida e acusou o STF de violar o devido processo legal e a imunidade parlamentar. Zambelli também denunciou o bloqueio de contas de sua mãe e de seu filho e prometeu levar o caso a fóruns internacionais.

Você pode gostar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode se interessar
Publicidade