Os ministros do Supremo Tribunal Federal devem se manifestar coletivamente em defesa de Alexandre de Moraes na próxima sexta-feira (1º), data que marca a reabertura dos trabalhos da Corte após o recesso de julho. A iniciativa surge após a imposição de sanções financeiras por parte do governo dos Estados Unidos contra o ministro, com base na Lei Magnitsky.
Até o momento, apenas o ministro Flávio Dino comentou publicamente a decisão norte-americana. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e os demais integrantes da Corte ainda não se pronunciaram oficialmente, mas a previsão é que a primeira sessão do semestre seja marcada por discursos de solidariedade a Moraes.
Essa é a segunda medida retaliatória adotada por Washington contra o ministro. Em 18 de julho, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou a revogação dos vistos de Alexandre de Moraes, seus familiares e de aliados no Supremo. A decisão veio após o ministro autorizar a abertura de inquérito contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, por suposta articulação com o governo dos Estados Unidos para interferir nas ações da Justiça brasileira.
Relator das ações penais que investigam a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, Moraes também conduz outros processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje aliado do presidente norte-americano Donald Trump.
Eduardo Bolsonaro, investigado por suspeita de envolvimento em ações diplomáticas paralelas com vistas a pressionar o Judiciário brasileiro, passou um período nos Estados Unidos alegando perseguição política. Sua licença do mandato parlamentar terminou em 20 de julho.
A tendência é que a reação do Supremo nesta sexta-feira reforce a independência do Judiciário brasileiro diante de pressões internacionais, em meio a uma escalada de tensões políticas envolvendo setores da extrema direita no Brasil e nos Estados Unidos.
