Na terça-feira (23), o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) aprecia o processo que pede a cassação da prefeita reeleita de Acaraú, Ana Flávia Monteiro (PSB), e de seu vice, Rogério Rios da Silveira (PSB). A ação foi movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que acusa a chapa de ter cometido abuso de poder político, econômico e midiático durante as eleições municipais de 2024.
De acordo com o MPE, a gestão teria se beneficiado de práticas consideradas irregulares, como publicações institucionais com caráter de promoção pessoal nas redes da Prefeitura — mais de 200 ao todo — além de divulgação antecipada da convenção partidária, distribuição irregular de combustíveis e contratação de servidores temporários em período proibido pela legislação. O órgão também aponta que houve um expressivo aumento de contratações — 368 novos servidores — e a assinatura de contrato milionário com empresa terceirizada em meio ao pleito.
Outro episódio citado na denúncia é a realização de um comício em via pública com estrutura de palco e materiais de propaganda em formato semelhante a outdoors, medida que, segundo o Ministério Público, caracterizaria abuso de poder político. Para os procuradores, o conjunto de ações representa desequilíbrio na disputa eleitoral.
O MPE pede ao TRE-CE a cassação dos diplomas de Ana Flávia e de seu vice, além da declaração de inelegibilidade da prefeita por oito anos. Ana Flávia, esposa do deputado federal Robério Monteiro (PDT), foi reeleita em 2024 com 66% dos votos, derrotando o deputado estadual Manoel Duca (Republicanos).
A Prefeitura de Acaraú não se manifestou até o fechamento desta matéria. O julgamento poderá redefinir o quadro político no município e é aguardado com expectativa por aliados e opositores.
