Com a proposta de colocar a saúde no centro das ações contra a crise climática, o Brasil apresentou nesta segunda-feira (19), em Genebra, o Plano de Ação de Belém para a Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas. O lançamento ocorreu em evento paralelo à 78ª Assembleia Mundial da Saúde, reforçando o protagonismo brasileiro na integração entre as agendas de saúde e clima, em preparação para a COP30, que ocorrerá em novembro em Belém (PA).
O plano, construído com base em evidências científicas e diálogo com organizações internacionais, propõe três eixos principais. Entre as ações destacam-se o fortalecimento dos estoques estratégicos de suprimentos, vacinas e medicamentos e a criação de uma lista detalhada de ameaças à saúde decorrentes das mudanças climáticas. A proposta inclui ainda vigilância em saúde orientada pelo clima, capacitação profissional, infraestrutura resiliente e políticas públicas integradas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em nome do presidente Lula, convocou os países a se unirem em um mutirão global pela adaptação dos sistemas de saúde, com foco especial nas populações vulneráveis. Segundo ele, ignorar os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde seria “uma irresponsabilidade” e deixaria milhões à mercê de eventos extremos cada vez mais frequentes. Padilha também defendeu que a COP30 seja uma oportunidade histórica para consolidar o consenso de que saúde e clima devem caminhar juntos.
O evento reuniu representantes de países que lideraram as últimas conferências climáticas e que compõem a Coalizão de Continuidade de Baku, como Reino Unido, Egito, Emirados Árabes Unidos e Azerbaijão. O objetivo é garantir alinhamento nas ações climáticas entre as diferentes presidências da COP, fortalecendo a continuidade dos compromissos internacionais.
Durante a mesma ocasião, o Brasil também manifestou apoio formal à adoção do Acordo de Pandemias, iniciativa que visa fortalecer a prevenção e resposta a futuras crises sanitárias. O país teve papel ativo na construção do tratado, com destaque para o embaixador Tovar da Silva Nunes, vice-presidente do órgão de negociação do acordo e representante permanente do Brasil em Genebra.
O reconhecimento internacional também veio por meio do Prêmio Tabaco, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde ao Brasil por seus avanços no combate ao tabagismo. O destaque foi para a inclusão de impostos sobre produtos nocivos à saúde na recente reforma tributária, considerada uma medida eficaz na prevenção de doenças e promoção da saúde pública.
Com ações articuladas, o Brasil se posiciona não apenas como anfitrião da próxima conferência do clima, mas como um dos líderes globais na promoção de sistemas de saúde mais resilientes, justos e preparados para os desafios ambientais do século.
