Após quatro anos de espera e uma rotina exaustiva de hemodiálises, nutrição parenteral e internações constantes, o arquiteto brasiliense Luiz Perillo, de 35 anos, conseguiu um doador compatível para a realização de um transplante multivisceral — um dos procedimentos mais complexos da medicina moderna.
A cirurgia, marcada para esta terça-feira (23) em São Paulo, envolve a substituição de cinco órgãos: estômago, fígado, pâncreas, intestino e rim, todos provenientes de um único doador, condição que reduz significativamente os riscos de rejeição.
A mãe do paciente, Jussara Martins, descreveu a notícia como um verdadeiro milagre após anos de angústia. “Durante muito tempo, ouvi dos médicos que cada dia poderia ser o último. Ele chegou a pesar 34 quilos, mas nunca desistiu. Sempre acreditamos que esse momento chegaria”, relatou emocionada.
Luiz descobriu, ainda jovem, uma trombofilia — condição que favorece a formação de coágulos sanguíneos. A doença comprometeu a veia porta, essencial para o sistema digestivo, e provocou a falência de seus órgãos. Para manter-se apto ao transplante, ele se submeteu a exercícios físicos regulares, mesmo em estado debilitado, para preservar a massa muscular.
O transplante multivisceral passou a integrar o Sistema Único de Saúde (SUS) em fevereiro de 2025, após anos de reivindicações de médicos e pacientes. O procedimento pode custar até dez vezes mais que um transplante convencional, e atualmente é realizado em apenas cinco hospitais no Brasil — quatro em São Paulo e um no Rio Grande do Sul.
De acordo com o Ministério da Saúde, outras seis pessoas aguardam na fila para o mesmo tipo de cirurgia no país. Em 2024, foram feitos 9,4 mil transplantes no Brasil, mas apenas dois foram multiviscerais.
🔑 A importância da doação de órgãos
No Brasil, a doação só ocorre com autorização familiar. Por isso, especialistas reforçam a importância de comunicar em vida a decisão de ser doador. Além de registrar a informação no novo modelo da Carteira de Identidade, desde abril também é possível formalizar a vontade de forma digital, por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO).
