A morte do cartunista Scott Adams, aos 68 anos, em decorrência de um câncer de próstata com metástase óssea, reacendeu o alerta para a evolução silenciosa dessa doença, que pode permanecer assintomática por anos antes de atingir estágios avançados. A metástase óssea ocorre quando o tumor se espalha para os ossos, característica comum nos quadros mais agressivos do câncer de próstata.
No Brasil, esse é o tipo de câncer mais frequente entre os homens, excluindo os tumores de pele não melanoma. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam cerca de 71 mil novos casos por ano, com maior incidência em homens acima dos 65 anos faixa etária em que o risco aumenta de forma expressiva.
O que é o câncer de próstata
A próstata é uma glândula de pequenas dimensões, localizada abaixo da bexiga, responsável por produzir parte do sêmen. Alterações genéticas ao longo da vida podem fazer com que as células do órgão passem a se multiplicar de forma descontrolada, dando origem ao câncer.
“A maioria dos casos surge de maneira esporádica, mas há situações associadas a fatores hereditários”, explica Denis Jardim, líder nacional da especialidade de tumores urológicos da Oncoclínicas. Segundo ele, mutações em genes como BRCA1 e BRCA2 tradicionalmente relacionados aos cânceres de mama e ovário também elevam o risco de câncer de próstata.
Doença avança sem sintomas iniciais
Uma das principais dificuldades no combate ao câncer de próstata é o fato de que, nas fases iniciais, a doença geralmente não provoca sinais perceptíveis. Quando os sintomas surgem, muitas vezes indicam que o tumor já se encontra em estágio avançado.
Entre os sinais mais comuns estão dificuldade para urinar, enfraquecimento do jato urinário, presença de sangue na urina e dores ósseas, estas últimas associadas à metástase.
“Mesmo tumores agressivos costumam ser silenciosos no início. Os sintomas aparecem quando o câncer ultrapassa a próstata ou se espalha para outros órgãos”, afirma Alexandre Iscaife, urologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.
Foi exatamente esse cenário enfrentado por Scott Adams, cujo diagnóstico ocorreu quando a doença já havia atingido os ossos um dos destinos mais frequentes das metástases desse tipo de tumor.
Rastreamento é fundamental para o diagnóstico precoce
Por evoluir de forma silenciosa, o rastreamento é decisivo para a detecção precoce do câncer de próstata. Os exames mais utilizados são a dosagem do PSA (antígeno prostático específico), feita por meio de exame de sangue, e o toque retal.
A recomendação médica geral é que homens a partir dos 50 anos conversem com seus médicos sobre a realização desses exames. Para aqueles com histórico familiar da doença, o acompanhamento pode começar mais cedo.
“Quando há suspeita, a confirmação do diagnóstico é feita por biópsia, muitas vezes precedida por ressonância magnética”, detalha Denis Jardim.
Diferentes tipos e graus de agressividade
Nem todos os cânceres de próstata apresentam o mesmo comportamento. Os tumores são classificados em baixo risco, risco intermediário e alto risco, este último considerado mais agressivo.
“A maioria dos casos se enquadra nas categorias de baixo ou médio risco. Os tumores altamente agressivos são menos frequentes, mas, quando diagnosticados, muitas vezes já apresentam metástases”, explica Iscaife.
Tratamento varia conforme o estágio da doença
As opções de tratamento dependem do grau de agressividade e da extensão do câncer. Em casos iniciais, pode ser indicado apenas o acompanhamento ativo, com monitoramento periódico.
Quando necessário, o tratamento pode incluir cirurgia, radioterapia, bloqueio hormonal que reduz a ação da testosterona, quimioterapia e o uso de radioisótopos, especialmente em situações de metástase óssea.
“O câncer de próstata costuma responder bem ao bloqueio hormonal, permitindo o controle da doença por longos períodos”, destaca Denis Jardim.
Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce tem impacto direto no prognóstico, possibilitando tratamentos menos agressivos, melhor qualidade de vida e aumento da sobrevida dos pacientes.
Fonte: G1
