O avanço da influenza A tem elevado os níveis de internação e mortalidade por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre jovens, adultos e, principalmente, entre idosos e crianças pequenas. É o que revela o mais recente boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com dados que alertam para a gravidade do cenário atual em diversas faixas etárias.
De acordo com a análise, a influenza A foi responsável por 72,5% das mortes registradas nas últimas quatro semanas entre pacientes com diagnóstico positivo para doenças respiratórias. Os demais casos fatais foram atribuídos a vírus como o sincicial respiratório (12,6%), rinovírus (9,7%), Sars-CoV-2 (5,9%) e influenza B (1,4%). A maior incidência do vírus tem sido observada entre crianças com menos de dois anos e na população idosa, grupos também com os maiores índices de mortalidade.
O relatório indica sinais iniciais de queda nas hospitalizações por Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em estados como São Paulo, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. Ainda assim, o VSR segue como principal responsável pelo aumento de SRAG em crianças de até quatro anos, ao lado do rinovírus e da influenza A. Já entre crianças mais velhas, adolescentes e adultos, a influenza A aparece como o principal agente causador das internações.
Embora em algumas regiões, como Mato Grosso do Sul e Pará, os casos de influenza A estejam em processo de estabilização, os níveis de incidência continuam elevados. O cenário exige atenção especial, especialmente diante da alta letalidade observada entre os grupos mais vulneráveis.
Diante do atual quadro epidemiológico, a pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, reforça a necessidade urgente da vacinação. Ela destaca que a imunização leva cerca de duas semanas para oferecer proteção eficaz, por isso a vacinação deve ser feita o quanto antes, especialmente entre crianças, idosos e demais grupos prioritários.
Com a aproximação do inverno e o aumento da circulação de vírus respiratórios, especialistas alertam que o monitoramento contínuo e a ampliação da cobertura vacinal serão fundamentais para evitar um agravamento da crise sanitária respiratória nas próximas semanas.
