Cientistas alertam: jejum de água não “mata de fome” o câncer e ameaça a saúde

Uma nova “cura milagrosa” para o câncer voltou a circular nas redes sociais: o chamado jejum de água por 21 dias
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Uma nova “cura milagrosa” para o câncer voltou a circular nas redes sociais: o chamado jejum de água por 21 dias, que supostamente faria o corpo “matar de fome” as células cancerosas e se curar sozinho. A promessa, embora pareça simples e natural, não tem base científica e pode ser perigosa.

De tempos em tempos, dietas radicais e práticas alternativas reaparecem com força nas redes, oferecendo soluções rápidas para doenças graves. Mas o câncer não é uma doença única nem pode ser revertido com privação alimentar, explicam oncologistas e pesquisadores.

Embora o jejum, em formas mais leves como o intermitente, tenha mostrado efeitos sobre o metabolismo e a regeneração celular em estudos laboratoriais, não há nenhuma evidência confiável de que ele possa eliminar tumores. O que se sabe é que o jejum prolongado pode causar desidratação, perda muscular, desequilíbrios eletrolíticos e queda perigosa da pressão arterial especialmente em pacientes já enfraquecidos pela doença ou pela quimioterapia.

O próprio câncer costuma causar desnutrição, e prolongar a falta de alimento pode agravar a perda de peso, enfraquecer o sistema imunológico e aumentar o risco de infecções. “Privar o corpo de nutrientes durante o tratamento pode aumentar a toxicidade dos medicamentos e dificultar a recuperação”, dizem especialistas.

Pesquisas recentes continuam explorando como o metabolismo influencia o câncer por exemplo, se dietas com restrição calórica controlada podem aumentar a eficácia de certos tratamentos. Mas esses estudos são monitorados de perto e não envolvem jejum extremo.

Grande parte do apelo de práticas como o “jejum de água” vem do mito da “desintoxicação”. A ideia de que o corpo pode eliminar toxinas ou “purificar-se” sozinho não é respaldada por nenhuma evidência médica. O câncer se desenvolve por mutações genéticas complexas, e não por “impurezas” que poderiam ser lavadas com água e abstinência alimentar.

O jejum desperta interesse científico justamente por ativar mecanismos de sobrevivência, como a autofagia processo em que as células reciclam componentes danificados. Em estudos com animais, isso mostrou reduzir inflamações e melhorar o metabolismo. Porém, em tumores humanos, a resposta é imprevisível: as células cancerosas podem se adaptar e continuar crescendo mesmo em condições de escassez.

Em resumo, o jejum não é inofensivo. Em doses curtas e supervisionadas, pode ter efeitos positivos; mas em períodos longos e sem orientação médica, pode causar danos sérios.

O câncer exige tratamentos baseados em evidências, como cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia não dietas milagrosas. A ciência continua estudando como a nutrição e o metabolismo interagem com a doença, mas até agora, nenhum copo de água substitui a medicina.

Fonte: G1

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