Crianças de 1 a 4 anos e idosos com 70 anos ou mais são os mais hospitalizados por formas graves de influenza no Ceará neste início de ano. Consideradas grupos de risco para a doença, as faixas etárias concentram a maior proporção de casos graves, conforme dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).
Em 2026, a Pasta registrou 236 casos da chamada Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza em unidades de saúde até a semana epidemiológica 8 — encerrada em 28 de fevereiro. No período, a maioria dos pacientes era formada por crianças de 1 a 4 anos (26,9%) e idosos com 70 anos ou mais (22,7%), sendo a maior parte do sexo feminino (54,2%). Não foram registrados óbitos no intervalo.
Ao Diário do Nordeste, a coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Pasta, Ana Cabral, detalha que o crescimento de infecções respiratórias por diversos vírus no Estado é esperado no primeiro semestre. Embora a sazonalidade seja prevista, a gestora detalha que o cenário atual apresenta um volume de influenza superior ao mesmo período de 2025.
Apesar da alta nas síndromes gripais causadas pelo vírus e por outras condições, a gestora ressalta que a maioria dos pacientes que chega às unidades apresenta sintomas leves. Apenas uma pequena parcela, majoritariamente formada por crianças e idosos, evoluiu para o quadro de SRAG, condição que exige assistência médica especializada.
Para o tanto de caso que temos de síndromes gripais, temos uma baixa repercussão em relação à Síndrome Respiratória Aguda Grave. Hoje, o nosso cenário é predominantemente de casos mais leves.”
Ana Cabral
Coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Sesa
O que é Síndrome Respiratória Aguda Grave?
O médico sanitarista Álvaro Madeira Neto explica que a SRAG não é uma doença isolada, mas o agravamento de uma infecção respiratória. Embora o quadro costume iniciar com sinais de uma gripe comum — como febre, tosse e coriza —, a diferença está na velocidade da evolução clínica.
Os sinais de alerta característicos, segundo o especialista, são a dificuldade respiratória intensa, inclusive com baixa da oxigenação sanguínea, acompanhada de cansaço extremo e febre alta persistente. Crianças e idosos são os grupos mais propensos a desenvolver formas graves de resfriados.
“São aqueles pacientes que evoluem com dispneia [falta de ar], desconforto respiratório, saturação abaixo de 95 e que podem ser hospitalizados. Dentro do nosso sistema de informação, se a pessoa tem todos esses sintomas e um quadro gripal associado, ela é notificada como Síndrome Respiratória Aguda Grave”, explica Ana Cabral.
Crianças e idosos tendem a ter casos graves de influenza
O médico explica que as estatísticas do Ceará seguem um padrão comum, pois crianças e idosos são os mais vulneráveis. “O sistema imunológico infantil ainda está em desenvolvimento, e as vias aéreas também são mais estreitas, e isso leva a uma rápida piora de infecção respiratória. Da mesma forma que idosos também têm uma resposta imune mais reduzida.”
Fonte: Diário do Nordeste.
