Um avanço promissor na medicina está sendo desenvolvido por pesquisadores do Paraná e pode transformar a rotina de pacientes que enfrentam infecções após a colocação de próteses ortopédicas. Trata-se de uma prótese biodegradável, produzida em impressora 3D, que combina um polímero plástico com antibióticos, atuando como solução temporária durante o tratamento contra infecções graves. O material já foi testado em 15 pacientes com próteses de quadril no Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, e apresentou resultados preliminares positivos.
A proposta vem suprir uma lacuna existente no Sistema Único de Saúde (SUS), que atualmente não oferece uma opção acessível de prótese temporária com antibiótico. As alternativas disponíveis são importadas e possuem custo elevado. Segundo o professor Felipe Francisco Tuon, coordenador do projeto e pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, o novo modelo é uma resposta direta à necessidade de manter a funcionalidade do corpo e combater infecções de maneira mais eficaz.
Em casos de infecção, o procedimento tradicional exige a retirada da prótese permanente, geralmente feita de titânio, e o paciente permanece sem substituto durante cerca de seis meses de tratamento. Essa condição causa dor, perda de mobilidade e maior risco de novas complicações, como hematomas e retração muscular. A nova prótese biodegradável busca ocupar esse espaço, liberando antibióticos diretamente no local afetado, e preparando o corpo para uma futura reinserção da prótese definitiva.
A tecnologia da impressão 3D agrega ainda mais valor ao projeto. O método permite a produção em massa de próteses padronizadas com baixo custo, além da possibilidade de personalização de peças a partir de exames de imagem, como a tomografia. Isso garante um encaixe anatômico ideal e mais conforto ao paciente.
A equipe paranaense já planeja ampliar os testes clínicos em 2026 para outras articulações, como joelhos e ombros. O projeto ganhou impulso com um financiamento de R$ 3 milhões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que viabilizou a expansão da estrutura de produção. O novo centro de impressão 3D será capaz de atender hospitais públicos de todo o país, com capacidade de produção para anos.
A expectativa dos pesquisadores é disponibilizar as próteses a unidades de saúde interessadas em aderir à iniciativa, democratizando o acesso à tecnologia e promovendo uma mudança concreta na qualidade de vida dos pacientes atendidos pelo SUS.
