Uso prolongado de melatonina está ligado a maior risco cardíaco, aponta pesquisa

Um novo estudo da American Heart Association (AHA) indica que o uso prolongado de melatonina
Compartilhe

Um novo estudo da American Heart Association (AHA) indica que o uso prolongado de melatonina, suplemento amplamente utilizado para tratar distúrbios do sono, pode estar ligado a maiores riscos de insuficiência cardíaca, hospitalização e morte por qualquer causa entre pessoas com insônia crônica.

A pesquisa, que será apresentada na reunião científica anual da AHA, nos Estados Unidos, analisou dados médicos de 130.828 adultos com diagnóstico de insônia ao longo de cinco anos, a partir da TriNetX Global Research Network, uma base internacional de informações de saúde.

Entre os participantes, 65.414 usavam melatonina há pelo menos um ano. Ao comparar com outro grupo de pacientes semelhantes, mas que não faziam uso do hormônio, os cientistas observaram resultados preocupantes:

  • Risco 90% maior de desenvolver insuficiência cardíaca (4,6% contra 2,7%);
  • Quase 3,5 vezes mais hospitalizações por insuficiência cardíaca (19% contra 6,6%);
  • Risco quase duas vezes maior de morte por qualquer causa (7,8% contra 4,3%).

Segundo o autor principal do estudo, o médico Ekenedilichukwu Nnadi, da SUNY Downstate/Kings County Primary Care, em Nova York, os dados sugerem que o suplemento pode não ser tão inofensivo quanto se acredita.

“Se nossos resultados forem confirmados, eles podem mudar a forma como os médicos orientam seus pacientes sobre o uso de auxiliares do sono”, afirma Nnadi.

Entenda a melatonina

A melatonina é um hormônio natural produzido pela glândula pineal, responsável por regular o ciclo sono-vigília. À noite, seus níveis aumentam, induzindo o sono; durante o dia, diminuem.
A versão sintética, idêntica à natural, é vendida como suplemento para aliviar insônia e jet lag. Nos Estados Unidos, o produto é comercializado sem prescrição médica e não passa por controle rigoroso da agência reguladora, o que pode gerar variação de pureza e dosagem entre as marcas.
No Brasil, a melatonina foi liberada em 2021 como suplemento alimentar e também pode ser comprada sem receita.

Especialistas pedem cautela

Para Marie-Pierre St-Onge, professora da Universidade Columbia e presidente do grupo que elaborou a declaração científica de 2025 da AHA sobre saúde do sono, os resultados reforçam a importância de precaução no uso prolongado do hormônio.

“Fico surpresa que médicos prescrevam melatonina por mais de um ano. Nos EUA, ela não é indicada para insônia crônica e não deve ser usada continuamente sem acompanhamento”, alerta.

A especialista lembra que o sono saudável depende de hábitos e ambiente, e não apenas de suplementos.

“Tomar um hormônio sintético todos os dias não resolve as causas da insônia e pode trazer outros riscos à saúde”, acrescenta.

Mais estudos são necessários

Os autores destacam que a pesquisa é observacional ou seja, aponta associações, mas não comprova causa e efeito. Fatores como o uso de outros remédios para dormir, condições psiquiátricas ou a própria gravidade da insônia podem ter influenciado os resultados.

“Embora nossos achados levantem preocupações, são necessárias mais pesquisas para determinar se a melatonina realmente afeta o coração”, conclui Nnadi.

Fonte: Metrópoles

Você pode gostar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode se interessar
Publicidade