Com o avanço do surto de sarampo em países vizinhos, o Brasil iniciou nesta terça-feira uma mobilização nacional para proteger a população contra a doença e impedir a sua reintrodução no território nacional. O Acre, estado que faz fronteira com a Bolívia um dos mais afetados atualmente foi o primeiro a realizar o Dia D de vacinação, com ações voltadas principalmente aos municípios fronteiriços.
Das 22 cidades acreanas, sete fazem divisa com a Bolívia, entre elas Xapuri, Brasileia e Epitaciolândia. A iniciativa envolve a intensificação da aplicação da vacina tríplice viral, atualização de esquemas vacinais e a aplicação de dose extra da vacina dupla viral para crianças entre seis e 11 meses. Mais de 12 milhões de doses foram distribuídas em 2025, das quais 2,4 milhões já foram aplicadas.
Além da vacinação, o governo promove seminários de capacitação em Rio Branco e Brasiléia, voltados para profissionais de saúde e gestores locais. O foco é ampliar a vigilância, fortalecer o diagnóstico precoce, discutir ações binacionais e garantir resposta rápida a eventuais casos suspeitos. Ações semelhantes estão previstas para ocorrer em municípios de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, com um novo Dia D programado para o dia 26 de julho.
A mobilização ocorre em um momento delicado no continente. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, mais de 7 mil casos de sarampo já foram registrados nas Américas em 2025, com destaque para os Estados Unidos, que somam 1.227 casos e três mortes, além do Canadá e do México. No Brasil, foram identificados cinco casos isolados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal todos importados, sem risco atual de transmissão sustentada.
Em resposta ao cenário regional, o Brasil reforçou seu papel de cooperação internacional ao disponibilizar 600 mil doses da vacina para doação à Bolívia. A medida reforça o compromisso do país com a saúde pública continental e busca preservar a recertificação de território livre do sarampo, conquistada novamente em 2024 após um período de instabilidade causado pela baixa cobertura vacinal entre 2018 e 2022.
A campanha nacional contra o sarampo segue em todo o território brasileiro, com vacinas disponíveis em postos de saúde. O Ministério da Saúde reforça que a imunização é segura, gratuita e a forma mais eficaz de manter o país protegido contra a doença.
