Pelo menos quatro homens naturais do Ceará estão entre os mortos na megaoperação policial realizada na última terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. A ação, considerada uma das mais letais da história recente do estado, já soma mais de 120 mortos, entre eles quatro policiais.
De acordo com informações repassadas por autoridades do Ceará, os cearenses mortos seriam integrantes do Comando Vermelho (CV), facção carioca com ramificações em Fortaleza, especialmente nos bairros Pirambu e Carlito Pamplona. As vítimas foram identificadas como Leilson Sousa da Silva (Lelê), Francisco Teixeira Parente (Mongol), Luan Carlos Marcolino de Alcântara (Tubarão) e Josigledson de Freitas Silva (Gleissim ou Traquino).
Fontes da Segurança Pública apontam que o grupo atuava diretamente sob ordens de Carlos Mateus da Silva Alencar, conhecido como Skidum ou Fiel, apontado como o principal líder do CV no Pirambu e um dos criminosos mais procurados do Ceará. Ele estaria presente na região da operação, mas ainda não há confirmação se figura entre os mortos.
Segundo registros da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Skidum é investigado por homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa. Há 15 ações penais em seu nome, 12 delas por assassinatos. Mesmo foragido no Rio de Janeiro, ele continuava, segundo a polícia, a comandar execuções e atividades criminosas em Fortaleza.
Após deixar o Ceará para escapar de mandados de prisão, Skidum teria buscado abrigo em comunidades controladas pelo Comando Vermelho no Rio. Inicialmente, esteve escondido no Complexo da Maré, mas teria se deslocado para a área onde ocorreu a operação, que tinha como principal alvo Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, apontado como uma das lideranças nacionais da facção.
Entre os mortos, Leilson Sousa (Lelê) era considerado o “gerente” de Skidum no Pirambu. Ele respondia por tráfico e roubo e chegou a ser preso em 2020 durante sua própria festa de aniversário, ocasião em que, segundo a polícia, o evento servia como celebração da facção. Já Francisco Teixeira Parente (Mongol) tinha passagens por homicídio, estelionato, furto e corrupção ativa.
As autoridades cearenses seguem em contato com a polícia fluminense para confirmar oficialmente as identidades e investigar o envolvimento dos suspeitos com o Comando Vermelho.
