Como a PF recupera mensagens apagadas de celulares

Entre as ferramentas usadas estão softwares especializados como Cellebrite, desenvolvido em Israel, e Greykey
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A Polícia Federal dispõe de tecnologias avançadas capazes de acessar dados de celulares mesmo quando os aparelhos estão bloqueados, desligados ou com informações aparentemente apagadas. Esses recursos são utilizados em perícias digitais para auxiliar investigações criminais.

Entre as ferramentas usadas estão softwares especializados como Cellebrite, desenvolvido em Israel, e Greykey, dos Estados Unidos. Esses programas, de uso restrito por autoridades, conseguem extrair mensagens, arquivos e outros dados de dispositivos iPhone e Android, mesmo quando estão protegidos por senha. Em muitos casos, o acesso ocorre por meio da conexão do aparelho a um computador através de cabo USB, enquanto o sistema tenta descobrir ou quebrar o código de desbloqueio.

Outro recurso utilizado pelos peritos é o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), um programa criado por especialistas da própria Polícia Federal em 2012. A ferramenta permite analisar rapidamente o conteúdo de celulares apreendidos, facilitando a busca por informações em conversas, documentos e arquivos armazenados no dispositivo.

Antes da análise, os investigadores costumam preservar o aparelho em um recipiente conhecido como gaiola de Faraday. Esse tipo de bolsa ou caixa possui revestimento metálico que bloqueia sinais externos, como internet ou rede de celular. O objetivo é impedir qualquer comunicação do dispositivo com o mundo externo, evitando que dados sejam apagados remotamente.

A forma de extração das informações depende da situação do aparelho. Quando o celular está com a tela bloqueada, programas como Greykey e Cellebrite podem tentar descobrir a senha e acessar os dados. Já em casos em que o dispositivo está desligado ou danificado, os peritos podem recorrer à técnica chamada “chip off”, que consiste em desmontar o aparelho e retirar o chip de memória para extrair diretamente as informações armazenadas.

Segundo especialistas em segurança digital, o processo de perícia deve ser realizado o mais rápido possível. Isso porque alguns registros importantes, como dados relacionados à senha de desbloqueio, podem ficar armazenados apenas temporariamente na memória do aparelho, o que facilita a quebra da proteção se a análise for feita rapidamente.

O IPED também possui recursos avançados de análise. O sistema consegue, por exemplo, extrair textos de imagens e organizar informações de forma pesquisável. Assim, peritos podem realizar buscas por padrões específicos, como números de CPF ou valores financeiros, acelerando o trabalho investigativo. A ferramenta ainda é capaz de recuperar mensagens apagadas, embora não consiga acessar conteúdos enviados com visualização única.

O código-fonte do IPED foi disponibilizado publicamente em 2019, permitindo que desenvolvedores contribuam com melhorias na ferramenta.

Já a técnica chip off é considerada mais complexa e envolve a desmontagem do celular para acessar diretamente seus componentes internos. Nesse procedimento, os peritos retiram principalmente o chip de memória do aparelho e utilizam equipamentos específicos para transferir e analisar os dados armazenados nele, mesmo quando o telefone aparenta estar desligado.

Fonte: G1

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