Descoberta de estrela companheira pode desvendar segredos de Betelgeuse

A descoberta pode finalmente explicar a intrigante oscilação de brilho da estrela
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Um brilho azul tênue ao lado de uma das estrelas mais estudadas do céu noturno pode estar prestes a transformar décadas de mistério em resposta. Astrônomos anunciaram a detecção de uma estrela companheira orbitando Betelgeuse, a supergigante vermelha que pulsa no ombro da constelação de Órion, famosa por sua coloração avermelhada e variações de luminosidade.

A descoberta, publicada na revista The Astrophysical Journal Letters, pode finalmente explicar a intrigante oscilação de brilho da estrela, especialmente o ciclo de aproximadamente seis anos que desafia modelos tradicionais. A nova companheira, apelidada de “Siwarha” — termo árabe que significa “seu bracelete”, em referência simbólica ao nome da própria Betelgeuse, ou “Mão do Gigante” — foi avistada usando uma técnica de imagem de alta resolução conhecida como speckle imaging, com o instrumento Alopeke no telescópio Gemini Norte, no Havaí.

Betelgeuse, com cerca de 700 vezes o raio do Sol e até 14 mil vezes mais luminosa, vive seus últimos milhões de anos em uma escala de tempo estelar. Com apenas 10 milhões de anos, já exauriu o hidrogênio de seu núcleo e se encontra em estágio avançado de expansão. Em 2020, passou pelo chamado “Grande Escurecimento”, quando ejetou uma nuvem de poeira que obscureceu temporariamente sua luz e provocou especulações sobre uma iminente explosão de supernova.

Foi esse evento que despertou o interesse renovado em entender o comportamento da estrela. A suposta companheira, agora vislumbrada em dezembro de 2024, surge como peça-chave do quebra-cabeça. Os astrônomos identificaram uma estrela azul, jovem, com 1,5 vez a massa do Sol, orbitando Betelgeuse a uma distância quatro vezes maior que a da Terra ao Sol — o que, em termos cósmicos, representa uma proximidade notável.

A existência de Siwarha não apenas confirma previsões feitas a partir de medições históricas da velocidade radial da estrela desde 1896, como também fortalece a hipótese de que a variabilidade de longo prazo no brilho de Betelgeuse esteja ligada à interação entre as duas estrelas. A presença da companheira parece estar relacionada à produção e distribuição de poeira na atmosfera da supergigante, especialmente quando ela passa por trás ou pela frente, gerando fases mais escuras ou brilhantes do ciclo luminoso.

Por enquanto, a detecção está no limite da capacidade instrumental e exige confirmação com novas observações. A próxima oportunidade ideal será em novembro de 2027, quando Siwarha estará no ponto mais distante de sua órbita, tornando-se mais facilmente visível.

Embora tenham nascido praticamente juntas, o destino das estrelas não será o mesmo. Enquanto a companheira ainda está em formação, Betelgeuse caminha para o fim da vida. Se sobreviver ao colapso da supergigante, Siwarha será arremessada ao espaço. Caso contrário, poderá se fundir à estrela principal em um abraço cósmico, selando o destino de ambas.

Com cerca de 30% das supergigantes apresentando variações semelhantes às de Betelgeuse, a descoberta pode inaugurar uma nova compreensão sobre pares estelares ocultos e a dinâmica de suas interações. Um lembrete poderoso de que, mesmo entre os corpos celestes mais familiares, ainda há surpresas esperando para serem reveladas.

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