Fóssil de criatura de três olhos revela predador marinho enigmático de 506 milhões de anos

O fóssil foi descrito a partir de mais de sessenta espécimes encontrados em excelente estado de preservação
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Com um corpo do tamanho de um dedo e nadadeiras que lembram o bater de asas de uma mariposa, uma criatura pré-histórica surpreendeu paleontólogos ao ser identificada como um antigo predador marinho, agora batizado de Mosura fentoni. O fóssil, datado de 506 milhões de anos, foi descrito a partir de mais de sessenta espécimes encontrados em excelente estado de preservação, revelando detalhes anatômicos inéditos no registro fóssil.

Dotado de três olhos – sendo um central, maior e mais proeminente – e garras articuladas com espinhos bifurcados, o Mosura fentoni pertencia ao grupo dos radiodontes, linhagem extinta considerada ancestral dos artrópodes modernos. Os detalhes foram publicados na última terça-feira (13) na revista Royal Society Open Science.

Apesar de sua aparência peculiar, o Mosura mostra traços compartilhados com criaturas atuais, como caranguejos-ferradura e insetos. Sua estrutura corporal, com 16 segmentos e brânquias localizadas na parte traseira, representa uma característica inédita entre os radiodontes e sugere uma evolução convergente com certos artrópodes contemporâneos. Para os pesquisadores, isso indica que a diversidade morfológica desses antigos animais era muito maior do que se imaginava.

O animal nadava ondulando suas nadadeiras laterais, de maneira semelhante a uma raia, em um ecossistema marinho repleto de vermes, pequenos artrópodes e outros predadores. Embora não se saiba exatamente o que o Mosura comia, acredita-se que ele utilizava suas garras espinhosas para agarrar presas menores e conduzi-las à sua boca em forma de apontador de lápis, cercada por placas serrilhadas.

A descoberta foi liderada por Joe Moysiuk, curador do Museu de Manitoba, e contou com a colaboração do Museu Real de Ontario. Um dos espécimes revelou, sob camadas de rocha removidas com martelo pneumático, uma garra frontal intacta, o que ajudou a desvendar parte do comportamento alimentar do animal.

Especialistas externos, como os paleontólogos Russell Bicknell e Rudy Lerosey-Aubril, destacaram que o novo fóssil amplia a compreensão sobre a variedade de formas corporais dos radiodontes e pode oferecer pistas valiosas sobre o desenvolvimento evolutivo precoce dos artrópodes. A estrutura do tronco do Mosura desafia o modelo convencional de evolução corporal do grupo e sugere um caminho mais complexo e diversificado do que se supunha.

A redescoberta do passado marinho da Terra segue surpreendendo, e o pequeno Mosura fentoni surge como mais um elo revelador na intrincada história da vida animal.

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