ONG transforma lixo eletrônico em bijuterias e capacita mulheres em programação

14 de outubro é o Dia Internacional do Lixo Eletrônico, empresa une reciclagem, inclusão social e aperfeiçoamento profissional.
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Placas-mãe que já não ligam, cabos esquecidos em gavetas e teclados quebrados ganham uma nova vida nas mãos das mulheres da Tech Girls, uma ONG criada por Gisele Lasserre, em Curitiba. O projeto une a sustentabilidade à inclusão ao transformar resíduos eletrônicos em bijuterias criativas e, ao mesmo tempo, abre caminho para que mulheres em situação de vulnerabilidade entrem de cabeça no universo da tecnologia.

“Nós desenvolvemos uma metodologia afetiva de ensino em tecnologia, que consiste em alguns módulos lúdicos para que a tecnologia faça sentido para essas mulheres que nunca ligaram um computador antes. Então, a gente traz algo que já é familiar para essas mulheres no primeiro momento, que são as atividades manuais”, conta Gisele.

A fundadora da ONG trocou a carreira como executiva em São Paulo para se dedicar ao projeto social por causa da desigualdade de oportunidades na área da tecnologia. Segundo Gisele, o seu trabalho foi diminuído pelo fato de ser mulher e pelo etarismo, o que ela busca combater com o trabalho na Tech Girls.

As oficinas têm início com o módulo de arte em lixo eletrônico, em que as participantes aprendem a confeccionar brincos, colares e até peças decorativas para a casa a partir de sucata digital.

Em exposições e feiras, as bijuterias chegam a ser vendidas por valores entre R$ 50 e R$ 200. Toda a renda vai diretamente para as artesãs, que passam também por um módulo de empreendedorismo para estruturar a própria fonte de renda.

Depois do contato inicial com os cabos e placas, as alunas seguem para o módulo de manutenção de notebooks, aprendendo a identificar peças e lidar com reparos. Por fim, o ciclo se completa com o aprendizado de HTML e CSS, inserindo mulheres que nunca imaginaram seguir carreira em TI em um setor com déficit de mão de obra, e que é dominado por homens, de acordo com a empresária.

O lixo eletrônico chega ao projeto por meio de doações de pessoas físicas e empresas. Muitas companhias procuram a ONG para destinar equipamentos obsoletos de forma segura, já que a Tech Girls possui licença ambiental e oferece certificados de descarte com limpeza de dados.

O que não vira bijuteria é reaproveitado em aulas de manutenção ou encaminhado para reciclagem, em um processo de logística reversa com 100% de reaproveitamento de todo o material.

O tempo de produção de cada peça varia: há colares montados em menos de uma hora e criações autorais, como abajures feitos de teclas, que podem levar dias. Mas, independentemente do produto, o que conta é a transformação.

“Nosso objetivo é derrubar o mito de que tecnologia não é para mulheres. Muitas chegam sem nunca ter ligado um computador, e saem com confiança, capacitação e até mesmo com um notebook recuperado pelo projeto para iniciar sua jornada profissional”, afirma a fundadora.

Desde 2017, a ONG já formou 670 mulheres, doou 450 notebooks recuperados e conquistou prêmios internacionais ao unir inclusão digital, empregabilidade e sustentabilidade. O modelo se expandiu para vários estados brasileiros e, em 2026, terá turmas em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

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