Na Beyond Expo, realizada em Macau, um robô humanoide roubou a cena ao desafiar os humanos em um simples jogo de dados e vencer. Chamado AlphaBot 2, ele não apenas interpretou a proposta do jogo como apertou o botão de um lançador automático de dados e reagiu com um polegar para cima quando ganhou. Criado pela AI² Robotics, empresa sediada em Shenzhen, o robô é um exemplo vivo da evolução da chamada inteligência artificial incorporada sistemas de IA integrados a entidades físicas com capacidade de interação e aprendizado em tempo real.
A demonstração não foi apenas um número de entretenimento. Segundo o CEO da empresa, Yandong Guo, o robô levou apenas de cinco a dez exemplos para aprender a jogar. Para ele, essa nova geração de máquinas representa um salto em relação aos robôs tradicionais, que exigiam programação detalhada para cada tarefa. “Agora, você apenas diz o que fazer, e o robô entende o ambiente”, explicou Guo à CNN.
Com aplicações já em ambientes industriais, o AlphaBot 2 realiza tarefas como transporte de materiais e fixação de etiquetas em fábricas da montadora Dongfeng Liuzhou Motor. O modelo de IA embarcado, desenvolvido internamente pela AI² Robotics, permite ao robô adaptar-se a novos contextos com agilidade — algo crucial diante de tarefas mais complexas e variáveis, como destacou o professor Harry Yang, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong.
A corrida global pelo desenvolvimento de robôs humanoides está acelerada. Empresas como Tesla e Figure AI nos Estados Unidos, além de mais de 200 startups em Shenzhen, estão investindo pesado nesse segmento. O governo chinês tem apostado na tecnologia como uma via estratégica para o crescimento econômico, financiando centros de inovação e até escolas dedicadas à robótica.
Apesar dos avanços, a aplicação doméstica ainda enfrenta barreiras. Os preços são altos — chegando a US$ 20 mil em alguns modelos — e a adaptação dos robôs aos diversos ambientes residenciais requer volumes massivos de dados de treinamento, ainda difíceis de obter. Estimativas do Morgan Stanley apontam, no entanto, que 80 milhões de humanoides poderão estar presentes em lares ao redor do mundo até 2050.
Segurança e privacidade também estão no centro do debate. Com sensores, câmeras e microfones embarcados, os robôs domésticos levantam preocupações sobre o uso e o armazenamento de dados pessoais. Além disso, há riscos físicos associados ao uso diário, como a possibilidade de quedas ou colisões.
Ainda assim, Guo vislumbra um futuro em que os robôs possam preparar chá, servir refeições e até lavar a louça. Ele reconhece que os preços precisarão cair para tornar os humanoides mais acessíveis, mas aposta que em até cinco anos o custo de um robô como o AlphaBot 2 poderá se equiparar ao de um carro popular.
A promessa é de que, em breve, tarefas hoje rotineiras poderão ser delegadas a assistentes mecânicos capazes de entender, agir e até aprender como fazer melhor. Resta saber quando e como esse futuro sairá dos centros de pesquisa para o cotidiano das famílias.
