Em uma cerimônia marcada por emoção, simbolismo e forte presença internacional, o Papa Leão XIV, o primeiro pontífice americano da história, celebrou neste domingo (18) sua missa inaugural na Praça de São Pedro. Diante de uma multidão estimada em 100 mil fiéis e com a presença de líderes políticos e religiosos de mais de 150 países, o novo papa condenou a exploração econômica dos pobres e fez um apelo contundente por unidade dentro da Igreja Católica.
Leão XIV chegou à celebração a bordo do papamóvel, sendo calorosamente recebido com aplausos e cantos de “Viva il Papa” enquanto atravessava a praça. Em um gesto simbólico de proximidade, parou para beijar uma criança, provocando aplausos emocionados da multidão. Foi sua primeira aparição pública no veículo, projetado especialmente para sua segurança e mobilidade.
A missa, com duração de duas horas, contou com a presença de figuras políticas de peso, como o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Os três foram vistos conversando antes do início da liturgia e, posteriormente, Leão XIV se reuniu com Zelensky no Vaticano. A presidente do Peru, Dina Boluarte — país onde o novo pontífice atuou como missionário e bispo durante décadas — também esteve presente.
Durante sua homilia, considerada um momento-chave para estabelecer as diretrizes de seu pontificado, Leão XIV condenou a desigualdade econômica global. “Não podemos aceitar um sistema que explora os recursos da Terra enquanto marginaliza os mais pobres”, afirmou, sendo aplaudido por fiéis e delegações diplomáticas.
O novo papa também abordou tensões internas na Igreja, em um claro aceno às divisões entre alas conservadoras e reformistas que marcaram os últimos anos. “Na Casa de Deus, não há espaço para propaganda religiosa, nem para jogos de poder. Há espaço para o povo de Deus, unido na fé, na escuta e na misericórdia”, declarou.
A escolha de Leão XIV — um religioso com longa trajetória pastoral na América Latina — representa uma guinada simbólica e geográfica na liderança da Igreja Católica. Sua mensagem inaugural reforça o compromisso com os pobres, a justiça social e a reconciliação interna em um momento de grande complexidade global.
