Foto Tânia Rêgo-Agência Brasil2

Pesquisa revela rotina de discriminação racial vivida por pessoas negras no Brasil

Entre os brancos, esses episódios são consideravelmente menores
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A cada 100 pessoas pretas no Brasil, 84 afirmam já ter sofrido discriminação racial. A constatação vem de um estudo de abrangência nacional apoiado pelo Ministério da Igualdade Racial, divulgado nesta terça-feira (20), que analisou experiências cotidianas de preconceito enfrentadas por brasileiros em diversas situações, como atendimento em lojas e restaurantes, interações sociais e abordagens em espaços públicos.

Com base em questionários aplicados pela internet a 2.458 pessoas entre agosto e setembro de 2024, os dados apontam que mais da metade dos entrevistados pretos relatam ser tratados com menos gentileza e respeito que os demais. Situações como receber atendimento pior ou ser seguido em lojas também aparecem de forma significativa. Entre os brancos, esses episódios são consideravelmente menores, o que evidencia um padrão persistente de desigualdade racial.

As respostas mostram que 57% da população preta dizem receber atendimento inferior, enquanto esse número cai para 28,6% entre pardos e 7,7% entre brancos. Quando perguntados sobre serem seguidos em lojas, 21,3% dos pretos relataram já ter passado por isso, contra 8,5% de pardos e brancos.

A pesquisa foi conduzida pelas organizações Vital Strategies Brasil e Umane, com apoio técnico da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e do Instituto Devive, e teve como objetivo contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à equidade racial, especialmente na área da saúde.

Pedro de Paula, diretor da Vital Strategies Brasil, considera os dados um retrato claro da desigualdade estrutural no país. Ele alerta que a discriminação não se restringe a episódios isolados, mas afeta profundamente a saúde mental, o bem-estar e o acesso a direitos básicos. Evelyn Santos, gerente da Umane, destaca que essa foi a primeira vez que uma metodologia padronizada de medição de discriminação cotidiana foi aplicada em escala nacional.

O estudo também aponta que as mulheres pretas são as que mais sofrem múltiplas formas de preconceito: 72% relataram vivenciar mais de um tipo de discriminação. Na sequência, aparecem os homens pretos (62,1%). Já entre os brancos, os índices são bem menores.

Além das percepções pessoais, os dados se somam a outras estatísticas que revelam o impacto da desigualdade racial no Brasil. Pessoas negras correm risco quase três vezes maior de serem vítimas de homicídio, representam a maioria dos moradores de favelas e enfrentam taxas de desemprego superiores às da população branca, segundo dados do IBGE e do Atlas da Violência.

Os responsáveis pelo estudo defendem que esses números sejam o ponto de partida para fortalecer políticas públicas mais eficazes. Para eles, o combate à discriminação deve ser prioridade em diferentes áreas, especialmente na saúde, onde as consequências do racismo se manifestam de forma grave e, muitas vezes, silenciosa.

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