WhatsApp Image 2025-08-06 at 09.38.03

Tarifa de Trump começa a valer e ameaça exportações cearenses

Compartilhe

As novas tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começaram a vigorar nesta quarta-feira (6) e já causam preocupação em diversos setores da economia brasileira. O Ceará, estado cuja maior parte das exportações é direcionada ao mercado norte-americano, é o mais afetado pelas medidas, o que tem gerado reação imediata por parte do governo estadual.

Diante do impacto direto nas exportações cearenses, o governador Elmano de Freitas anunciou um pacote de ações emergenciais para mitigar os prejuízos. Entre as medidas estão:

Apoio financeiro para empresas exportadoras;

Compra de produtos locais para utilização em órgãos públicos e programas sociais;

Antecipação de créditos fiscais;

Ampliação de incentivos tributários;

Criação de um Comitê Estratégico para monitorar os efeitos das tarifas.

Além disso, o governo estadual está organizando reuniões com representantes dos setores mais atingidos, como os de pescado, castanha de caju, água de coco, cera, couro e calçados. “Estamos abertos ao diálogo para encontrar soluções em conjunto”, afirmou Elmano.

Entenda as novas tarifas
As novas taxas significam que produtos que antes eram vendidos a US$ 100 agora podem custar até US$ 150 para o consumidor americano, tornando os itens brasileiros menos competitivos. Como consequência, os compradores dos EUA podem buscar fornecedores de outros países, prejudicando a balança comercial cearense.

Entre os produtos mais vulneráveis estão os pescados e calçados, que passaram a ser taxados em 50%. Por outro lado, a siderurgia — principal setor exportador do Ceará — foi poupada. Em 2024, esse setor respondeu por quase metade (49%) das exportações do estado, totalizando US$ 528 milhões de um total de US$ 1,1 bilhão exportado apenas no primeiro semestre de 2025.

O impacto é especialmente grave porque o Ceará depende fortemente dos EUA: mais da metade (51%) das exportações cearenses entre janeiro e junho de 2025 foram para o mercado americano. Em comparação, o Espírito Santo, segundo estado mais dependente, direcionou 28,6% de suas vendas externas para os EUA no mesmo período.

Corrida contra o tempo e busca por novos mercados
Antes da entrada em vigor das novas tarifas, o governo estadual buscou agilizar os embarques de mercadorias para os Estados Unidos. O governador informou que houve articulação com a Receita Federal, Ibama e a administração do Porto do Mucuripe para acelerar o processo de liberação de cargas.

Esse esforço surgiu após episódios preocupantes, como a retenção de 20 contêineres no Porto do Pecém em julho, um dos principais terminais de exportação do estado.

Apesar do esforço emergencial, o governo também planeja estratégias de médio e longo prazo, como a diversificação dos mercados internacionais. Reuniões com representantes de países como a China já estão na agenda. “Vamos buscar alternativas para reduzir a dependência de um único mercado”, afirmou Elmano.

Incertezas e preocupações no setor produtivo
A indefinição sobre quais produtos estarão totalmente isentos das tarifas aumenta a ansiedade entre empresários. Um exemplo é o caso da castanha de caju: o governo americano anunciou isenção para “Brazil nuts” (castanha-do-pará), mas produtores ainda não sabem se a medida se aplica também à castanha cearense.

O setor pesqueiro é um dos mais preocupados. De acordo com o Sindicato das Indústrias de Frio e Pesca do Ceará (Sindfrio), 100% dos peixes costeiros produzidos no estado são destinados ao mercado norte-americano. “Estamos avaliando com nossos parceiros comerciais as alternativas viáveis”, declarou Paulo Gonçalves, secretário do sindicato.

Você pode gostar

Quando foram encontrados, os homens estavam sem comer há mais de 24 horas.
Dados do CNJ apontam que o território cearense é o segundo com déficit de vagas, atrás somente de Pernambuco.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode se interessar
Publicidade