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Como Nepal resgatou dois sobreviventes de túnel nove dias após avalanche que matou mais de 1,3 mil

O australiano Arnold Dix, presidente da Associação Internacional de Túneis e Espaços Subterrâneos, auxilia as autoridades nepalesas na operação
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Duas pessoas foram resgatadas com vida de um túnel no Nepal, mais de uma semana após uma enxurrada de grandes proporções atingir a região da fronteira com o Tibete. A tragédia deixou mais de 1,3 mil mortos, e dezenas de pessoas ainda podem estar presas dentro da estrutura.

Os sobreviventes, identificados como Sanjaya Shah e Kabir Maharjan, foram encontrados nesta sexta-feira (4), após uma complexa operação de resgate no túnel da usina hidrelétrica Trishuli-3A, uma das estruturas atingidas pela enchente.

O australiano Arnold Dix, presidente da Associação Internacional de Túneis e Espaços Subterrâneos, auxilia as autoridades nepalesas na operação. Segundo ele, a equipe enfrentou uma série de obstáculos até conseguir chegar aos dois homens.

O primeiro desafio foi localizar a entrada do túnel, que havia sido completamente soterrada pela lama e pelas rochas. Para encontrar o ponto exato, os especialistas utilizaram mapas topográficos antigos, imagens de satélite, registros feitos por helicópteros e referências encontradas na superfície, como postes de energia.

Depois de localizar a entrada, os socorristas precisaram determinar onde estavam os sobreviventes. O túnel estava bloqueado por uma grande quantidade de lama e pedras, algumas maiores que automóveis.

Para abrir caminho, foram utilizados explosivos de maneira controlada. Dix destacou o trabalho do Exército do Nepal, responsável por realizar as detonações com precisão para evitar o desabamento da estrutura e preservar a segurança dos possíveis sobreviventes.

Outro problema encontrado foi a presença de água dentro do túnel. Escavadoras e bombas foram utilizadas para abrir canais até um rio próximo e permitir a drenagem da área.

Na etapa final, os socorristas abriram uma pequena passagem entre os escombros, com espaço suficiente para a passagem de uma pessoa. Foi por esse caminho que a equipe conseguiu avançar.

Nas primeiras horas desta sexta-feira, os trabalhadores ouviram possíveis vozes vindas do interior do túnel. Ao chamarem pelos ocupantes, receberam uma resposta fraca. Pouco depois, Sanjaya Shah e Kabir Maharjan foram retirados com vida.

Apesar do sucesso, a operação está longe de terminar. A equipe acredita que outras dezenas de pessoas possam estar presas na região interna do túnel.

Até agora, cerca de 60 metros foram escavados a partir da entrada. Ainda seriam necessários aproximadamente 150 metros para alcançar a área da usina localizada no interior da montanha.

Os socorristas também enfrentam riscos de novos deslizamentos e alagamentos. A entrada de água pelo interior ou por outras áreas do túnel pode colocar em perigo tanto os sobreviventes quanto as equipes de resgate.

Mesmo diante dos riscos, o resgate dos dois homens renovou a esperança dos especialistas. Dix afirmou que a equipe agora avança em direção ao que chamou de “zona Cachinhos Dourados”, uma área da usina considerada mais favorável à sobrevivência.

“Conseguimos retirar duas pessoas. O jogo continua”, afirmou o especialista, demonstrando confiança na possibilidade de encontrar outros sobreviventes.

Fonte: G1

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