Israel deporta Greta Thunberg e mais de 170 ativistas após interceptação de flotilha rumo à Faixa de Gaza

Ativista sueca foi detida na semana passada por participar de flotilha que levava ajuda humanitária a Gaza. Total de deportados chegou a 340. Governo de Israel disse ter respeitado todos os direitos legais dos ativistas durante detenção em prisão israelense.
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A ativista ambiental sueca Greta Thunberg foi deportada por Israel nesta segunda-feira (6), junto com outros 170 integrantes de uma flotilha internacional que foi interceptada pela marinha israelense ao tentar chegar à Faixa de Gaza com ajuda humanitária. A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel, que classificou o grupo como parte da “flotilha Hamas–Sumud” e acusou os ativistas de encenarem um “espetáculo de relações públicas”.

Segundo o governo israelense, os detidos — de diversas nacionalidades, incluindo europeus, norte-americanos e brasileiros — foram enviados para a Grécia e a Eslováquia em voos organizados após a detenção. Uma imagem publicada nas redes sociais do ministério mostra Greta no aeroporto, momentos antes do embarque.

A flotilha, composta por mais de 40 embarcações, tinha como objetivo romper o bloqueio a Gaza e chamar atenção para a crise humanitária no território palestino. Todos os barcos foram interceptados em alto-mar pelas forças israelenses na semana passada. Ao todo, mais de 450 pessoas foram detidas.

Impasse e pressão internacional

De acordo com o governo de Israel, Greta e outros ativistas teriam recusado a deportação imediata, o que teria prolongado o tempo de custódia. Em meio a denúncias de maus-tratos, o governo negou que a sueca ou os demais detidos tenham sido submetidos a condições inadequadas.

No entanto, a operação gerou fortes críticas da comunidade internacional. O governo brasileiro, por exemplo, denunciou Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU, na última sexta-feira (4), cobrando explicações sobre a abordagem militar e a detenção de cidadãos brasileiros.

O Itamaraty confirmou que 14 brasileiros foram presos durante a ação. Uma dessas pessoas é a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE). Os brasileiros estão sendo mantidos no centro de detenção de Ketziot, no deserto do Negev — a maior instalação do tipo em Israel em termos de área.

Fontes diplomáticas brasileiras informaram que todos os detidos estão em boas condições de saúde e que receberam visita consular nesta segunda-feira. Um dos integrantes da delegação brasileira, residente no país e com dupla cidadania argentino-italiana, já foi deportado e desembarca ainda hoje no Rio de Janeiro.

Ajuda humanitária e cenário de guerra

A flotilha tentava entregar suprimentos a Gaza em meio à guerra entre Israel e o Hamas, que completa dois anos nesta terça-feira (7). O conflito, iniciado após um ataque do grupo palestino que matou mais de 1.200 israelenses e fez 250 reféns, gerou uma devastadora crise humanitária no território palestino.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, mais de 67 mil pessoas morreram e quase 170 mil ficaram feridas desde o início da ofensiva israelense. A ONU reconhece esses dados e alerta para fome generalizada e deslocamentos forçados, que podem configurar crimes de guerra à luz do direito internacional.

Israel mantém um bloqueio aéreo, terrestre e marítimo sobre a Faixa de Gaza, justificando a medida como uma estratégia de contenção do Hamas. O envio de ajuda por meio de flotilhas é frequentemente barrado pelas forças armadas israelenses, sob a alegação de risco à segurança nacional.

Desfecho e próximos passos

Com mais de 340 ativistas já deportados, o governo de Benjamin Netanyahu quer concluir as expulsões “o mais rapidamente possível”. Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, os trâmites continuam, mesmo diante de tentativas de “obstrução e resistência” por parte dos ativistas.

Enquanto isso, cresce a pressão diplomática sobre Israel por conta da condução da operação, considerada desproporcional por organizações de direitos humanos e governos estrangeiros.

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