A psicóloga cearense Vitória Figueiredo Barreto, de 30 anos, segue desaparecida na Inglaterra após uma semana. Ela foi vista pela última vez na última terça-feira (3), na cidade de Brightlingsea, no condado de Essex, a cerca de duas horas de Londres. As buscas continuam.
Desde o desaparecimento, investigadores tentam reconstruir os últimos passos da brasileira e esclarecer o que pode ter ocorrido após o último registro de sua presença na região. A família de Vitória acompanha o caso à distância e mantém contato com investigadores e pessoas próximas que estavam com ela nos dias que antecederam o desaparecimento.
Brightlingsea é uma cidade pequena, com cerca de 8 mil habitantes, conhecida pela tranquilidade e pela paisagem à beira-mar. O caso mobiliza autoridades locais, moradores e a comunidade brasileira no país, que têm colaborado com a divulgação de informações e buscas por pistas que possam levar ao paradeiro da psicóloga.
Últimos contatos e rotina antes do desaparecimento
Vitória Figueiredo Barreto trabalha com terapia comunitária integrativa e havia participado, no início do ano, de um congresso de psiquiatria realizado no Marrocos. Registros publicados por ela nas redes sociais mostram momentos da viagem e atividades relacionadas ao evento. Após a participação no congresso, a psicóloga seguiu para a Inglaterra, onde passou alguns dias visitando locais turísticos e reencontrando conhecidos.
O namorado da brasileira, Janilson Gomes, relatou que os dois passaram um período juntos em Londres antes de ela seguir para o interior do país. “Encontramos com ela, nos divertimos um pouco por Londres, fizemos alguns passeios”, afirmou.
Nos dias seguintes, Vitória ficou hospedada na casa da professora e psicóloga clínica Liliane Além-Mar, que atua na Universidade de Essex. Segundo Liliane, havia planos para que a brasileira conhecesse a instituição e participasse de atividades acadêmicas. “Na segunda-feira foi planejado que eu apresentaria ela à universidade. Ela estava feliz, estava divertida”, relatou.
No entanto, no dia do desaparecimento, a rotina planejada mudou. “Almoçamos na beira do lago, ela estava muito calada. E aí fomos andando até o ponto onde a gente se encontraria, 15 para 5 da tarde, para voltar para a nossa cidade. Mas aí ela não apareceu”, contou a professora.
Psicóloga cearense desaparecida no Reino Unido: mistério segue sendo investigado
Após o almoço com Liliane, Vitória embarcou em um ônibus dentro do campus da Universidade de Essex. Imagens de câmeras de segurança do veículo registraram a presença da brasileira. No vídeo, ela aparece usando óculos e com o capuz do casaco sobre a cabeça. Esse registro é considerado o último momento em que a psicóloga foi vista.
De acordo com a polícia, Vitória desembarcou em um ponto de ônibus próximo ao campus universitário. A partir desse local, no entanto, não há novos registros de câmeras de segurança que mostrem a movimentação da brasileira pela cidade.
Uma testemunha que passou pela mesma rua relatou ter visto alguém com características semelhantes às da psicóloga, o que reforça a hipótese de que ela esteve na região após sair do ônibus. Investigadores analisam imagens de câmeras da cidade, buscam novas testemunhas e tentam reconstruir os passos da brasileira após o desembarque.
Última localização do celular de psicóloga cearense desaparecida levanta dúvidas
Horas após o desaparecimento, já durante a madrugada, familiares tiveram acesso à localização do celular da psicóloga. O sinal indicava um ponto no mar. Por volta das 8 horas da manhã, no entanto, o sinal deixou de ser registrado.
A informação levantou dúvidas sobre o que teria acontecido nas horas seguintes ao desaparecimento. O tio de Vitória, Adalberto Barreto, explicou que especialistas da região apontaram possíveis falhas na precisão da geolocalização. “Nós fomos conversar com o pessoal da marina para entender se ela poderia estar no mar. Eles disseram categoricamente que ela não está no mar”, afirmou.
Ele acrescenta que a região pode apresentar inconsistências nos dados de localização. “E aí o chefe explicou: essa região aqui vai dar divergência da localização. A geolocalização não é precisa.”
Segundo Adalberto, outras informações ainda são aguardadas pela família. “As transações financeiras nós não estamos tendo acesso. Então esses cartões são importantíssimos para a gente entender o que ela pode estar comprando, onde ela pode estar passando”, disse.
Mobilização da comunidade e expectativa da família
Enquanto as investigações seguem em andamento, moradores de Brightlingsea têm demonstrado solidariedade com o caso. Cartazes com a foto da psicóloga foram espalhados pela cidade e moradores também montaram kits com itens básicos, caso ela apareça e precise de ajuda. A mobilização busca ampliar as chances de localizar a brasileira ou reunir novas informações que possam contribuir com as investigações.
A mãe de Vitória, Gleiz Bezerra, mantém a esperança de reencontrar a filha. “Onde quer que você esteja, Vitória, queremos que você sinta que foi e continua sendo especial”, disse. Em meio à incerteza, ela afirma manter a confiança de que a filha será encontrada. “Há minha esperança, e tem hora que eu tenho tanta certeza que vou abraçar a Vitória.”
Enquanto a busca continua, investigadores tentam responder às principais perguntas que cercam o caso: o que levou a psicóloga até a cidade de Brightlingsea e o que aconteceu depois que o celular dela enviou o último sinal. Até o momento, o desaparecimento segue sem explicação confirmada pelas autoridades.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que monitora o desaparecimento da cearense por meio do Consulado-Geral do Brasil na capital britânica e que mantém contato com as autoridades locais e com a família de Vitória para prestar a assistência necessária. A mãe da psicóloga, Gleiz Bezerra, afirma manter a esperança de reencontrar a filha.
