Aos 29 anos, a advogada cearense Alana Barros Diogo da Silva Azevedo viveu uma experiência que mudou completamente sua vida. Durante a gestação da primeira filha, ela foi surpreendida por um diagnóstico raro e grave: a Síndrome de Guillain-Barré. O período, que deveria ser marcado apenas pela expectativa da chegada do bebê, acabou se transformando em meses de luta pela própria sobrevivência.
Residente em Portugal, Alana havia retornado recentemente de uma viagem a Fortaleza quando começou a apresentar os primeiros sinais de que algo não estava bem. No início, os sintomas pareciam simples, semelhantes a uma gripe leve, acompanhada de coriza e dores no pescoço. No entanto, poucos dias depois, surgiram formigamentos nas mãos e nos pés, que rapidamente se intensificaram.
Com o passar das horas, o quadro se agravou. A dormência chegou ao rosto e parte da face ficou paralisada, o que levou a família a suspeitar inicialmente de um possível AVC. Desesperados, ela e o marido buscaram atendimento médico imediato. Após exames e avaliações, os médicos descartaram o AVC e levantaram a possibilidade de outras condições neurológicas. Entre elas, a Síndrome de Guillain-Barré, que posteriormente foi confirmada.
A doença evoluiu de forma rápida. Durante o tratamento pelo sistema público de saúde em Portugal, Alana começou a perder progressivamente os movimentos do corpo. Primeiro vieram as dificuldades nas pernas, depois nos braços, até que atividades simples, como falar, engolir ou respirar sem auxílio, se tornaram praticamente impossíveis. Em poucos dias, ela precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva.
A condição se agravou ainda mais quando surgiram complicações respiratórias e pneumonia. Com o corpo debilitado e praticamente sem mobilidade, Alana chegou a ficar tetraplégica. Por estar grávida, os médicos precisaram evitar sedação profunda para não colocar em risco a vida do bebê, o que fez com que ela permanecesse consciente durante grande parte do processo.
Em meio a esse cenário delicado, a equipe médica decidiu antecipar o parto. A bebê nasceu em outubro de 2025, após um procedimento delicado. Somente após o nascimento da filha, Alana pôde ser sedada e receber tratamentos mais intensivos para combater as complicações causadas pela síndrome.
A recuperação foi lenta e cheia de desafios. Nos primeiros dias após o parto, a advogada ainda enfrentava dificuldades para respirar e para recuperar os movimentos. Mesmo assim, poucos dias depois, viveu um momento que marcou profundamente sua trajetória: o primeiro encontro com a filha.
A partir daí começou um novo capítulo. Motivada pela maternidade e pelo apoio da família, Alana iniciou um intenso processo de reabilitação, com sessões frequentes de fisioterapia e terapia ocupacional. O objetivo era recuperar gradualmente os movimentos e reaprender atividades básicas do cotidiano.
Hoje, mesmo ainda em fase de recuperação, ela já celebra importantes conquistas. Voltou a trabalhar de forma remota, retomou parte da rotina e consegue cuidar da filha, que considera um verdadeiro milagre em sua vida.
A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune considerada rara, em que o próprio sistema imunológico passa a atacar os nervos do corpo. Isso pode causar fraqueza muscular progressiva e, em casos mais graves, paralisia. Embora o quadro possa ser severo, muitos pacientes conseguem se recuperar com tratamento adequado e reabilitação.
Para Alana, a experiência deixou uma mensagem clara: mesmo diante de um diagnóstico grave, a persistência, o tratamento e a fé podem fazer a diferença no caminho da recuperação. Hoje, ela compartilha sua história como um testemunho de superação e esperança para outras pessoas que enfrentam a mesma doença.
