Pacientes idosos com câncer em estágio avançado tendem a priorizar a qualidade de vida em vez da extensão do tempo de vida. É o que indica um estudo com 706 participantes, no qual apenas 8,4% afirmaram preferir prolongar a sobrevida, enquanto 71,7% optaram por preservar o bem-estar no dia a dia.
A pesquisa, liderada pelo médico Daniel R. Richardson, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, também mostrou que não houve diferença significativa na ocorrência de efeitos adversos dos tratamentos ou em hospitalizações entre os grupos analisados.
Os resultados, publicados na JAMA Oncology, apontam para uma possível desconexão entre o modelo atual de cuidados oncológicos e as preferências dos pacientes. Apesar de os idosos representarem a maioria dos casos de câncer, o foco dos tratamentos ainda está majoritariamente na ampliação da sobrevida, enquanto estratégias voltadas à melhoria da qualidade de vida permanecem em segundo plano.
O estudo reforça a importância do cuidado centrado no paciente, especialmente na oncologia geriátrica, onde respeitar escolhas individuais segue como um dos principais desafios.
A análise foi baseada no GAP70+, um ensaio clínico randomizado por grupos modelo em que conjuntos de participantes com características semelhantes são avaliados em vez de indivíduos isolados. Todos os pacientes tinham 70 anos ou mais, com diagnóstico de tumor sólido avançado incurável ou linfoma, além de apresentarem algum grau de comprometimento identificado na avaliação geriátrica.
Os participantes responderam a uma afirmação sobre priorizar qualidade de vida ou tempo de vida. As preferências não variaram de forma significativa por idade, sexo, renda ou estado civil. No entanto, pessoas com maior nível de escolaridade demonstraram maior tendência a valorizar a qualidade de vida. Outro ponto observado foi que pacientes sem comprometimento cognitivo também se inclinaram mais a essa escolha.
Em síntese, o estudo evidencia a necessidade de alinhar as estratégias de tratamento às expectativas e prioridades dos pacientes, sobretudo em contextos de doenças avançadas.
Fonte: G1
