Seis anos após um caso que ganhou repercussão internacional, a Justiça absolveu Ariane Bandeira Feitosa, mulher trans acusada de matar um homem que havia conhecido poucos dias antes por meio de um aplicativo de relacionamento, em Fortaleza.
Ariane chegou a ser presa em Londres, em 2022, durante uma operação conjunta que contou com a participação da Polícia Civil do Ceará, Interpol, Polícia Federal e Polícia Metropolitana de Londres. Posteriormente, ela foi colocada em liberdade e respondeu ao processo até ser julgada pelo Tribunal do Júri, que decidiu por sua absolvição.
A defesa, conduzida pelo advogado Paulo Quezado, argumentou que as provas apresentadas pela acusação não eram suficientes para comprovar a autoria do crime. Os advogados também sustentaram que Ariane enfrentou exposição pública e preconceito ao longo do processo por ser uma mulher trans.
O caso teve início em março de 2020, quando Daniel da Costa Barros foi encontrado morto em uma residência no bairro Bonsucesso, em Fortaleza. O laudo pericial apontou que a causa da morte teria sido asfixia mecânica por estrangulamento. Exames identificaram sinais de asfixia e uma fratura no osso hioide, localizado na região do pescoço.
Na época, os peritos levantaram a hipótese de que o estrangulamento poderia ter sido provocado por uma chave de braço, já que não foram encontradas marcas compatíveis com o uso de um laço.
Ariane sempre negou envolvimento no homicídio. Segundo sua versão, ela foi ao banheiro e, ao retornar ao quarto, encontrou Daniel passando mal sobre a cama, momento em que pediu ajuda.
A defesa apresentou ainda um laudo que indicaria a ingestão de um produto químico pela vítima. Conforme os advogados, a substância teria provocado convulsões, o que poderia explicar a fratura no osso hioide e a morte de Daniel.
Após o crime, Ariane chegou a ser presa em flagrante, mas foi liberada em audiência de custódia. Posteriormente, a Justiça decretou sua prisão preventiva por homicídio doloso. Ela foi denunciada formalmente em 2021, presa em 2022 e, mais tarde, passou a cumprir medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico.
Em 2024, a Justiça determinou que a acusada fosse submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri. A defesa recorreu da decisão, alegando falhas na investigação e na instrução processual, mas os recursos foram rejeitados. No julgamento final, os jurados decidiram pela absolvição de Ariane.
Fonte: Diário do Nordeste
