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‘Estou procurando seus nudes’: professor é investigado por suposto crime sexual contra aluna do IFCE

O Instituto afirma que adotou de forma imediata as medidas institucionais para acolher a vítima e apurar os fatos.
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Um professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE) é suspeito de cometer crime sexual contra uma aluna, orientada por ele no doutorado. A vítima, de 55 anos, denunciou os abusos às autoridades ainda no ano passado, tendo a ocorrência se tornado ‘caso de Polícia’.

A reportagem procurou a Polícia Civil do Ceará (PCCE), que disse investigar o crime contra a dignidade sexual ocorrido em outubro do ano passado, no bairro Benfica. Segundo a aluna, os abusos se repetiram, tendo uma vez o professor visto o celular da aula destravado em cima da cadeira, pego o aparelho e dito: “estou procurando seus nudes”.

“Outra vez, eu entrei em contato com ele para dizer que faltaria algumas aulas, porque eu viajaria a um evento internacional. E aí ele disse: ‘só me mande mensagens para enviar suas intimidades'”.

A defesa técnica do servidor público federal, representada pelo advogado Vinícius Ramos de Sá, disse que “o representado sempre manteve absoluta disposição para colaborar com todas as autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos, apresentar documentos e contribuir para o completo esclarecimento da verdade. A defesa reafirma sua plena confiança na Polícia Civil, no Ministério Público, no Poder Judiciário e nas instâncias administrativas competentes, compreendendo que eventuais investigações possuem natureza apuratória e não constituem conclusão de responsabilidade ou juízo definitivo acerca dos fatos investigados”.

Conforme o advogado, o servidor “procurou espontaneamente os meios institucionais e legais disponíveis para registrar fatos que entendia potencialmente lesivos à sua honra, à sua reputação profissional e à sua imagem perante a comunidade acadêmica” e que considera as acusações inverídicas e ofensivas à sua reputação.

De acordo com a Polícia, “o caso está a cargo da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (1ª DDM) de Fortaleza. Mais informações serão repassadas em tempo oportuno para não prejudicar os trabalhos policiais”.

O nome do suspeito será preservado nesta matéria, porque a investigação está em andamento. A identidade da vítima também não é divulgada.

MEDIDA ADMINISTRATIVA

O IFCE se pronunciou em nota que o caso tramita em sigilo interno, na Corregedoria, e que o professor foi afastado da orientação da aluna, mas não foi afastado das funções.

“Em relação à denúncia de suposto assédio sexual ocorrido no âmbito de um curso de pós-graduação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) no final de 2025, o campus de Fortaleza informa que adotou, de forma imediata, as medidas institucionais cabíveis para o acolhimento da discente e para a apuração dos fatos pelos setores competentes. Prontamente encaminhou o caso para as instâncias internas da corregedoria, procedeu à troca do orientador da discente e ofereceu atendimento psicológico à estudante, além de ajustar os horários de aulas para resguardar os envolvidos e evitar contatos diretos durante a apuração dos fatos”, disse o IFCE.

“Em observância à legislação vigente e com o objetivo de preservar a integridade das pessoas envolvidas e a efetividade dos procedimentos administrativos, os processos tramitam sob sigilo, não sendo possível divulgar informações específicas sobre a investigação em curso sobre o caso”IFCE

A vítima conta que, logo após os assédios, buscou a coordenação para informar oficialmente que não queria mais aquele professor como seu orientador e que decidiu procurar a Polícia meses depois porque continuou a ser “intimidada pelo professor”.

“A coordenação havia falado que ele não estaria mais lá no prédio nos dias em que eu teria aula, mas ele ia, entrava nas salas de aula em que eu estava… fazia questão de aparecer em lugares para eu confirmar a sua presença. Ele nunca teve medo, eu sim“.

A defesa acrescenta que o “representado construiu sua vida funcional ao longo de quase três décadas de dedicação ao ensino público federal, participando de atividades de docência, pesquisa, extensão e orientação acadêmica, contribuindo para a formação de inúmeras gerações de estudantes. Trata-se de trajetória profissional consolidada ao longo de muitos anos de trabalho, construída dentro das instituições públicas de ensino e pautada pelo compromisso com a educação, a produção científica e a formação humana”.

“Por essa razão, a defesa confia que qualquer análise pública acerca dos fatos observará não apenas alegações isoladas, mas também a totalidade do contexto, a cronologia dos acontecimentos e o histórico profissional construído ao longo de décadas. A defesa ressalta que o respeito às pessoas envolvidas exige cautela, equilíbrio e responsabilidade na divulgação de informações relacionadas ao caso”Advogado Vinícius Ramos

‘NUNCA DEI INTIMIDADE PARA ELE’

A aluna reclama que segue atualmente sem orientador e assim impossibilitada de terminar o doutorado.

“Tentei o doutorado sete vezes e finalmente, quando eu realizava um sonho, isso aconteceu. Eu nunca dei intimidade para ele. Senti nojo e me sinto impotente”. 

Na versão do Instituto, há meses uma orientadora foi designada para acompanhar a aluna, mas por questões diversas, atualmente, a doutoranda está sem orientador.

“O IFCE reafirma que não admite qualquer forma de assédio ou discriminação em seus ambientes acadêmicos e de trabalho. Todas as denúncias recebidas são tratadas com prioridade, responsabilidade e rigor técnico, observados os princípios do devido processo legal e da ampla defesa. Ciente da gravidade desse tipo de ocorrência e de seus impactos para as vítimas e para a comunidade acadêmica, a instituição mantém atuação permanente na prevenção, no acolhimento e na apuração de situações dessa natureza. Nesse contexto, o IFCE conta com ações educativas, campanhas de conscientização e mecanismos institucionais voltados à promoção de um ambiente seguro, respeitoso e inclusivo”.

O órgão disse também que “seguirá apurando a denúncia com zelo e responsabilidade no âmbito da corregedoria interna, adotando as medidas cabíveis de acordo com as suas competências e reforçando seu compromisso com a proteção da comunidade acadêmica”.

Já a Polícia destaca que a população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais, acionando o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp. O sigilo e o anonimato são garantidos pela Pasta.

Fonte- Diário do Nordeste

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