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Megaoperação pede bloqueio de até R$ 1 bilhão do CV e mira patrimônio de criminosos no Ceará

Mandados são cumpridos em 10 municípios.
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A Operação Torniquete, deflagrada pela Polícia Civil do Ceará nesta quinta-feira (18), teve como um dos principais alvos o patrimônio financeiro de integrantes de uma facção criminosa de origem carioca com atuação no Estado. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1 bilhão em bens e valores atribuídos aos investigados.

Nas primeiras horas da operação, pelo menos 20 pessoas foram presas no Ceará. A ofensiva também ocorreu em outros estados e já contabilizava 46 capturas até o momento da entrevista concedida pelo delegado. Além das prisões, os policiais apreenderam armas, munições, veículos e cerca de R$ 60 mil em espécie.

Municípios alvos da operação no Ceará
Fortaleza
Eusébio
Caucaia
Aquiraz
Cascavel
Sobral
Crateús
Novo Oriente
Forquilha
Granja
Além do Ceará, a operação ocorreu nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

Sobral concentra maior número de mandados
De acordo com Márcio Gutiérrez, Sobral concentrou a maior parte dos mandados cumpridos no Ceará. Somente no município, foram executadas mais de 100 ordens judiciais entre prisões e buscas.

“O que a gente percebe é que essa facção carioca, buscando expansão para fora do território do Rio de Janeiro, vai estabelecendo alianças nos estados. Hoje identificamos a presença desses criminosos em praticamente todo o país”, afirmou Gutiérrez.

Segundo o delegado, embora a organização criminosa tenha origem no Rio de Janeiro, a maior parte dos alvos presos no Ceará é formada por cearenses ligados à facção.

“A grande maioria é cearense. São criminosos conectados a essa facção carioca. À medida que aumentamos a pressão operacional aqui no Ceará, identificamos que muitos buscam se refugiar no Rio de Janeiro”, explicou.

Prisões em presídios e investigação contra advogado

Até a última atualização divulgada pelo delegado-geral, 46 pessoas haviam sido presas. Destas, 18 já estavam recolhidas no sistema prisional e receberam novos mandados de prisão em decorrência do avanço das investigações.

Entre os alvos da operação está um advogado preso em Fortaleza. Conforme a Polícia Civil, ele é investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa.

“As investigações apontaram uma ligação muito próxima e promíscua com a organização criminosa, inclusive em relação ao patrimônio. Ele está sendo investigado por lavagem de dinheiro relacionada a essa facção criminosa”, afirmou Gutiérrez.

O delegado ressaltou que a análise dos materiais apreendidos poderá revelar novos envolvidos e aprofundar o nível de participação de cada investigado.

Bloqueio bilionário e imóveis de luxo

Segundo o delegado-geral, o principal diferencial da Operação Torniquete foi a estratégia de enfraquecimento financeiro da organização criminosa.

Nós focamos muito na asfixia patrimonial e no desmonte patrimonial dessas organizações. Pelos elementos apresentados à Justiça, o Poder Judiciário determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão que porventura fosse encontrado nas contas desses criminosos

Márcio Gutiérrez

Delegado-Geral da Polícia Civil do Ceará

De acordo com ele, as investigações identificaram movimentações financeiras suspeitas, aquisição de imóveis e outros bens incompatíveis com a renda declarada dos investigados.

“Tivemos imóveis bloqueados pela Justiça, inclusive imóveis de luxo, além de contas bancárias. Um dos focos da operação era realmente o desmonte patrimonial da organização criminosa”, concluiu.

Crimes investigados

Os alvos da operação respondem ou são investigados por crimes como tráfico de drogas, homicídios, extorsão, lavagem de dinheiro, promoção e integração de organização criminosa.

“São criminosos com passagens pela polícia por crimes graves. Tráfico de drogas, homicídios, extorsões e participação em organização criminosa. Com a legislação atual, as penas podem variar de 20 a 80 anos de prisão, dependendo da participação de cada integrante”, afirmou o delegado-geral.

A Operação Torniquete segue em andamento e novas prisões não estão descartadas.

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